Cony, o genial da crônica brasileira



                 Recentemente fui presenteado pela doutoranda Winnie Gomes, da UFPE, com o livro Antologia de Crônicas. A organização da obra é de Herberto Sales, o qual selecionou oitenta crônicas de dez escritores brasileiros (oito de cada cronista), como Carlos Heitor Cony, Eneida Costa de Moraes, Lêdo Ivo, Maluh de Ouro Preto, Sérgio Porto, Marques Rabelo, entre outros.
               Na introdução, o organizador chama de ''80 Crônicas Exemplares'', de, ''alguns dos maiores cronistas do Brasil de hoje'', que tornaram a crônica uma tradição literária no país. Daí, ser o livro em questão uma fonte de leitura não somente para o público escolar como matéria de excelente leitura para o público em geral, conclui o autor.
                  O livro é ótimo. Os cronistas escolhidos, idem. Espera-se que os editores da Ediouro publiquem novas antologias desse gênero, com novos escolhidos, como Luis Fernando Veríssimo, por exemplo.
                 Porém, particularmente, quero falar de Cony. Há alguns anos, li tudo que encontrei escrito por ele. As crônicas publicadas por A Crítica, semanalmente, compunham meu manual de leitura obrigatória (com dever de recortá-las e arquivá-las).
                Cito duas delas que são simplesmente geniais - por sinal não foram editadas na obra analisada. Também pudera, são tantas!
    1. O 'menino das meias vermelhas', republicada em 10 de dezembro de 1995. No contexto, ele não brincava com as demais crianças, não parecia infeliz, triste. Era apenas solitário. Todos os dias surgia com as meias vermelhas. Certo vez a meninada quis saber o porquê daquela cor. Ele respondeu: ''No dia dos meus anos, minha mãe levou-me ao circo e colocou-me meias vermelhas. Eu reclamei. Mas ela explicou: 'que lá vai ter muita gente, se eu me perder de você, olharei para baixo e será fácil encontrá-lo'''. Mas, você não está no circo. Tire essas mais vermelhas, sentenciou um dos garotos. Ele não ficou aborrecido e disse: ''Eu vou continuar usando meias vermelhas. É que minha mãe foi embora. Um dia, talvez, ela passe por mim em algum lugar, verá minhas meias vermelhas e me reconhecerá''.
    2.  As time goes by, de 7 de agosto de 2004, na qual ele narra que quando foi anunciado o Prêmio Nobel a Isaac Singer, os jornalistas o inquiriam com duas perguntas: o senhor está surpreso? Está feliz? O laureado respondia com outras duas perguntas: por quanto tempo pode um homem ficar surpreso? Por quanto tempo pode um homem ficar feliz? 
                   Oportunamente, Cony conclui a crônica lembrando a historinha de duas velhinhas que faziam tricô na sala quando uma delas pergunta: ''Que horas são?'' A outra consultou o relógio e respondeu: ''São quatro horas.'' E, decidiram descansar um pouco e foram à janela, ver como ia o mundo e o dia. Depois voltaram à tarefa de antes e a mesma velhinha perguntou: ''Que horas são?'' A outra respondeu: ''São quatro e quinze''. A outra velhinha suspirou fundo: ''Como o tempo passa''.
                   Isso não é ser genial?... E o que você acha de Cony? Comente. Em breve, este blog terá um Facebook para trocarmos ideias. Aguarde!

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