Lígia, Lígia

   '' Mas seus olhos morenos/ me metem mais medo/ que um raio de sol/ Lígia, Lígia'' Versos imortais de Tom Jobim, na canção Lígia.
   Inspirado nos ''seus olhos morenos'' de Lígia, quero contar uma história da escritora paulista, Lygia Fagundes Talles. A morena, de cabelos pretos e olhos negros, nascida em São Paulo, em 19 de abril de 1923, hoje, com 92 de idade.
   Ainda muito jovem foi estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde escrevia para revistas e jornais universitários. ''Mocinha bonita, comprida e magricela, Lygia rodopiava da faculdade para a livraria, ou seja, a Jaraguá, misto de livraria, são de chá e galeria de arte, onde se reuniam escritores, pintores e outros artistas'', conclui Leonardo Monteiro e outros, em Literatura Comentada, Editora Abril, 1980.
   Em 1944, aos 21 anos de idade, publica seu primeiro livro: Os Contos de Praia Viva; Em 1949, foi a vez de O Cacto Vermelho; Em 1954, o primeiro romance, Ciranda de Pedra, e assim tornou-se uma escritora profissional e premiada, no Brasil e exterior. 
    Em 1981, Li Filhos Prodígios e comentei com o professor de língua e literatura portuguesas, Alberto Girardi, sobre a ótima qualidade dos contos. Nesse mesmo ano adquiri a coleção Literatura comentada, composta de 25 volumes, e entre nomes como Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Millôr Fernandes, Lygia é a única mulher. Daí, o peso do seu nome na literatura nacional.
   Em 1985 foi aceita como membro na Academia Brasileira de Letras, pela importância do conjunto de sua obra.
   No dia 13 de fevereiro de 1994, a Folha de São Paulo publicou o conto Folia e Cinzas, no qual Lygia garante que o carnaval brasileiro é ''tão milionário que até está perdendo a graça''. E revela um contraste entre ''o carnaval milionário e o carnaval da periferia''. O primeiro compete com as águas das enchentes e as chuvas (fevereiro) e o segundo não tem o júri julgando como nos circos romanos.
    E complementando diz: ''as águas procuram os seus caminhos, os mesmos caminhos do homem: águas bravas arrastando na sua fúria tudo o que entram pela frente''.
   Encantado com o teor da oração fiquei com o caput da mesma na cabeça: ''as águas procuram seus caminhos'', sempre. Sentia que falta algo (não no conto). Escrevi para a ABL (lembre-se leitor: estou me reportando à época da carta levada aos correios; Longe dos dias atuais, com...)
   Obtive o endereço e no dia 10/06/94 enviei-lhe uma carta suplicando que escrevesse/ publicasse um conto, cujo título fosse a frase acima em destaque, ''pois, dada sua incrível capacidade de 'brincar' com as palavras, não tenho dúvidas, que será um conto fantástico'', dizia eu. ''Assim como é fora de série o título do seu livro: A Estrutura da Bolha de Sabão (1991)'', completei.
   No dia 26.07.1994, estava eu sendo procurado pelo carteiro (o nordestino Francisco Matias, meu amigo até hoje), para assinar um AR de um impresso (?). Como à época recebi encomendas, correspondências com frequência, não atentei para o nome do remetente. Era dela mesma, a autora do livro em questão. E mais, com o seguinte dedicatória: ''Para Francisco Gomes da Silva, com um abraço cordialíssimo, de Lygia Fagundes Telles. São Paulo, julho de 1994''.
   A obra contém 8 contos. O último leva o título do livro. Caro leitor, recomendo-lhe a leitura do mesmo, principalmente o último conto (P.195). Isso tudo é fantástico. Pois, qual é a estrutura de uma bolha de sabão? Aquela bolha que a criançada solta em nossos rostos quando se estar no parquinho, nas festas folclóricas e etc.
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