O Choro de Pinxinguinha

   Confesso que levei um susto quando li a crônica Dia Nacional do Choro, de autoria do professor Flávio Lauria, publicada no periódico Amazonas Em Tempo, em 07/04/2015. Há tempo leio as publicações desse mestre. Algumas são me memoráveis. Por isso, as recortei e arquivei no meu pequeno acervo literário. Poderia citar várias, mas, por falta de espaço, fica para outra oportunidade. 
   Sobre a crônica em questão, o autor inicia assim:
                ''Para quem não acredita, recomenda-se primeiro que leia a primeira página do Diário Oficial da União de 5 de setembro de 2000. Ali está publicada a Lei nº 10.000 instituindo o Dia Nacional do Choro, a ser comemorado no dia 23 de abril''.
   E termina assim:
                 ''Art. 1º É instituído o Dia Nacional do Choro, a ser comemorado anualmente no dia 23 de abril, data natalícia de Alfredo da Rocha Viana Júnior, Pixinguinha. Foi o Pixinguinha que evitou o choro nacional fora do dia marcado de seu aniversário''.
   No desenvolvimento do texto, ele questiona: ''Por que então o Dia Nacional do Choro? E complementando diz: ''Fato é que chorar, agora, tem legalmente dia determinado''. E: ''O poder convincente das lágrimas só se admite na cronologia anual, uma vez somente no dia 23 de abril''.
   Acredito piamente que, pela seriedade com a qual publica semanalmente as suas ideias, o professor Lauria, cometeu um equivoco. Confundindo assim, etimologicamente a palavra choro como ato ou efeito de chorar, pranto, lágrimas, com choro de categoria musical.
    A lei nº 10.000/2.000, sobre a qual faz referências o mestre Lauria, veio, formalmente atender as antigas reivindicações dos defensores desse ritmo musical, o choro, ou chorinho, surgido no Rio de Janeiro, lá pelos idos de 1870, sendo considerado um dos criadores, o flautista Joaquim Calado.
   Nesse contexto, nasce no Rio de Janeiro - RJ, Pixinguinha (cujo alcunha é uma mistura de Pizindim, ''menino bom'' num dialeto africano). Ainda garoto, com uma flauta de folha, imitava as composições tocadas pelos adultos na casa do pai. Tornando-se, mais tarde, exímio saxofonista e flautista, sendo o responsável pela valorização do trio flauta - violão - cavaquinho no cancioneiro brasileiro, onde deixou de gravar mais de 500 músicas.
   Sua 1º composição foi Lata de Leite. Depois vieram outras belas composições como: Lamento, Rosa, Vou Vivendo, Sofres Porque Queres, etc. Levou seu gênero musical para a Europa, onde esteve por 6  meses, fazendo enorme sucesso na França.
   A revista Bravo!, edição de junho de 2008, traz na capa a seguinte manchete: ''100 Canções Essenciais''. Sabe qual é a número 1? ''Carinhoso''. Sobre esse clássico que imortaliza Pixinguinha, a revista apresenta esse comentário:
          ''O curioso é que ela nasceu instrumental, em 1917 (quando ele tinha apenas 20 anos de idade), pelo gênio Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha (1897 - 1973); A letra de João de Barro (1907 - 2006), só foi acrescentada quase 20 anos depois, em 1936. ''A maioria dos cantores não estava interessada em gravar Carinhoso. Todos preferiam a Velha Rosa. Primeiro foi chamado Francisco Alves, que não se interessou. O Carlos Galhardo também falhou e não compareceu na data marcada para a gravação. Até que veio o Orlando [Silva] e gravou Carinhoso e Rosa'', conta Pixinguinha. A descrença na canção era tanta que foi feita, na época, uma segunda letra para Carinhoso''.
   Assim, surgiu o Dia Nacional do Choro, em 23 de abril. Ouça esse ritmo autenticamente brasileiro e você não se decepcionará. Por exemplo, Carinhoso, na voz de Maria Creuza é espetacular ou Rosa, com Hermeto Pascoal (instrumental); Tem Brasileirinho, com outro imortal do Choro, Valdir Azevedo.

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