O Retorno Do Eco



   Em dezembro de 1994, por meio do locutor Edinaldo Sousa, o Sousa (Hoje, apresentador do programa Palco Brasil, da Rádio Tiradentes), conheci o cantor paraibano Zé Ramalho, nos estúdios da Rádio Amazonas, e de quem eu já era fã desde Admirável Gado Novo, no final dos anos 1970.
   Levei 11 LPs e pedi-lhe um autógrafo num deles. Pacientemente autografou todos e num deles fez o seguinte oferecimento: ''Para o Chico Gomes, Avôhai, Zé Ramalho''. Quis saber como havia adquirido todos os discos originais, ou seja, exemplares de lançamento. Ficou admirado como eu conhecia tão bem a sua carreira de cantador. E mais surpreso, ainda, ficou quando entreguei-lhe um quadro com uma mensagem em forma de retrospectiva das suas ''ideias musicais'' (como ele mesmo diz) até então.
   A seguir reproduzo o ''poema'', cujo título, O Retorno Do Eco, refere-se ao retorno do cantor a Manaus, depois de muitos anos, quando por aqui esteve nos anos 1980 para fazer um show, o qual não foi destaque local. Enquanto que em 94 já era conhecido em todo Brasil. Daí, o som da música, da guitarra, da canção...
        
                                                             O Retorno Do Eco

 Não acreditando no sistema vigente/ ele soube romper com o anêmico/ silêncio desse 'gado', dessa gente./ Fecha-se uma porta/ abre-se uma comporta/ e da torta civilização humana/ restou uma janela/ e dela via-se o Brejo do Cruz/ de poucos torrões/ de fartos portões/ donde veio o trovador/ acreditando na sorte/ por ser, ''antes de tudo, um forte'',/ pós a vida no 'chão de giz', mas... Ganhou norte./ Da voz ecoante, o tom/ do autêntico dom da palavra/ na lembrança da pequena larva/ vítima da birrenta seca,/ mas que não seca a lágrima/ que desce para o canto da boca/ e daquele canto do mundo/ ouve-se o eco da viola louca/ exortando pelo fim das contendas/ que sob tendas, exterminam lendas:/ sejam em Corfu, Kivu ou em Exu./ Ele soube muito bem trovar (e provar)/ o gênio das palavras gêmeas:/ do oxigênio abundante, mas poluído,/ do hidrogênio ido para a bomba H,/ do pirogênio febril da mente dormente/ daqueles que mentem - para quem?/ Para mim, para você, que também é massa/ que fica, que passa, na ''voz de um cantador''/ que magistralmente interpretou paralelas / pra ela, que está vindo em seis passos/ no compasso da vida;/ pra ele, que estava indo na sexta volta do vento da 'palabra libertad'./ Assim sendo, então, continuava na estrada violeiro,/ e permita que eu balbucie aos que estão chegando / a fantástica Zyliana (fecha o quarto com cimento/ e veja que mundo cinzento/ e como ficou o verbo amar) de Opus Visionário.

 Abaixo, algumas imagens para ilustrar esta passagem na minha história de vida. Todo o material foi feito artesanalmente:


Quadro com o poema O Retorno do Eco.

Autógrafo de Zé Ramalho no quadro.

Protótipo do Fã-Clube em Manaus-AM.

Quadro com foto de Zé Ramalho.











 
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