PALCO BRASIL: 10 ANOS DE SUCESSO

     "Passam os anos
      E como muda o que eu sinto
      O que ontem era amor
      Vai se tornando outro sentimento
      Porque anos atrás..."


      São versos imortais do grande poeta, cantor e compositor cubano Pablo Milanés, na canção AÑOS, que divinamente ecoaram nas rádios brasileiras, em 1981, nas vozes de Raimundo Fagner e da saudosa cantora argentina Mercedes Sosa.
     Naquele ano estive em Manaus para prestar o vestibular - trabalhava em Lábrea-AM, na Emater-AM -, e, aqui, resolvi fazer uma visita à gráfica da Empresa situada na sede da mesma. Lá conheci um excelente time de jovens pintores, gráficos, desenhistas, diagramadores e outras atividades afins. Entre eles estavam: Ricardo Gavinho, Luis Augusto Filho, José Evangelista Torres Filho (o Torrinho. Hoje cantor Zeca Torres), Ednaldo Sousa, Eudécio  Gusmão, etc.
     Poucos anos depois, eu e o Ednaldo nos encontramos nos corredores da UA - Universidade do Amazonas (hoje UFAM), onde éramos acadêmicos em cursos distintos. Assim, seguimos nossos estudos, nossas carreiras e, obviamente, assumimos nossos compromissos.
     "Passam os anos" e em meados da década de 1990, fui convidado pelo locutor/radialista Francisco Eudes, da Rádio Amazonas, para emprestar uma coleção de discos de vinil (LPs), para que ele pudesse fazer um "especial 101" (nome do programa, levado ao ar todo sábado à tarde), somente com músicas do cantor Zé Ramalho, o que iria fazer um show na cidade na noite daquele dia. Lá chegando nos estúdios, me deparei, não apenas com o SOUSA, que era o responsável pelo evento, mas também com o próprio cantor e seu empresário.
       Assim, fiquei sabendo ser o SOUSA o apresentador do programa "Mesa de Bar", da mesma Rádio, de segunda à sexta feira, a partir das 19 horas, onde só eram executadas músicas da MPB e MPA, com grande audiência. Então, passei a ouvi-lo e constatei que não era somente a boa seleção das músicas a serem tocadas. Mas, principalmente por ser música popular brasileira como a  popular amazonense e a regional de outros Estados amazônicos. Artistas de diferentes lugares lá compareciam para divulgarem seu trabalho. Com esse formato - em priorizar  a MPB/MPA - o "Mesa de Bar" era sucesso absoluto no horário e tornou-se uma marca registra na programação radiofônica local.
      "Passam os anos" e em 2008, encontrei o SOUSA nas dependências da FIEAM/SESI, e quando quis saber onde estava trabalhando ele disse: "Programa Palco Brasil" há dois anos. Atualmente, em 2016, o Palco está com 10 anos no ar. Ou melhor, 120 meses, quase 2.500 apresentações. Ou ainda: se se levar em conta 70 minutos por programa diário (de segunda à sexta), com a execução de 13 a 15 músicas por cada apresentação, tem-se um total médio entre 37 a 38 mil canções tocadas. Diga-se de passagem, sucessos de qualidade. Alguns deles fazem parte da vida de cada ouvinte. É um espetáculo no ar, literalmente. É uma vida. Uma vida a ser seguida. A música nos conduz a um mundo de paz, principalmente num final de tarde, onde durante o dia se superou problemas ou surgiram problemas na vida de cada pessoa.
     No inicio desde mês (dias 2 ou 3), o Palco Brasil completou DEZ anos de vida. Cronologicamente é a idade de uma criança. Mas uma criança saudável e com identidade própria. É apenas uma comparação, mas que, sem dúvida, chegará à adolescência, à fase adulta e à maturidade, cada vez melhor e com o número de seguidores maior, é óbvio.
      Sabe-se que há todo um aparato técnico para o sucesso do programa. Pelo menos quatros elementos são indispensáveis: O meio de veiculação (Rádio Tiradentes). Os parceiros (patrocinadores). Os sintonizadores (ouvintes). E a seleção musical (qualidade). Assim: se o ouvinte acha que o apresentador interage com sinceridade e o perfil musical é do seu agrado, permanecerá prestigiando. Caso contrário sai de sintonia na hora. O Palco... tem esses e outros elementos. Por isso é um dos melhores programas de todas as Rádios locais, apesar de ser só 70 minutos para os comerciais, os comentários, a apresentação da música/cantor e a execução da música propriamente dito.
       Cabe aqui um esclarecimento da minha parte ao meu leitor. Nada foi combinado com o homenageado, nem com a emissora. Como sou fã da boa música e da boa literatura e disponha dessas informações, por que não publica-las? Por que não opinar sobre o que acho correto? Há quem concorda comigo. Assim o fiz.
      O radialista, o jornalista, o apresentador, o locutor, como queira cada leitor, Ednaldo Sousa é originário do Estado do Pará (de Santarém, acredito eu) e veio para Manaus ainda muito jovem, em 1973. E para quem não sabe,  é um artista plástico de mão cheia. Alguns dos seus quatros já foram levados à exposições. No entanto, jamais irá suplantar as suas raízes de vida. Porém, achou que podia viver melhor aqui - e é isso que tem feito - como sendo o lugar (que o diga o Bairro de Petrópolis, onde morou por 15 anos, lá por perto do Comando Geral da PM) que escolheu para estudar, trabalhar, constituir família e somar cada vez mais, maior número de amigos e admiradores. Com essas características, o moço é um é um manauara da gema em quase todos os sentidos. É um profissional talentoso e assim como alguém, um dia, abriu-lhe as portas para a carreira profissional, ele tem aberto comportas para compositores, cantores, jornalistas, escritores, patrocinadores de shows, estudantes e outros profissionais que o procuram, dentro das suas possibilidades, é claro.
     Eu tinha um sábio mestre de Sociologia, Renan Freitas Pinto, o qual nos ensinava  que, uma boa programação na nossa vida, é aquela que quando chega ao fim, nos deixa com a sensação de querer mais, seja ela entretenimento ou não. O Palco Brasil é assim. Impreterivelmente entra no ar às 17:50 h e termina às 19:00 h, de segunda à sexta-feira. Quando acaba a gente resmunga: "Já!?" 
     Nesses finalzinho de tarde o ouvinte já esperando aquela musica do Oswaldo Montenegro na abertura do programa, ou aquela frase: "Boa tarde, mas boa tarde mesmo! É sempre assim: eu aqui, vocês aí, enfim, todos juntos pela música". Visitam ao Palco, artistas de Norte a Sul do país. Alguns com mais frequência outros, nem tanto. Depende muito da agenda de cada um. Do Norte: Sérgio Souto, Chico da Silva, Eliana Printes, Lucinha Cabral,  Zeca Torres, Candinho e Inez, Célio Cruz, Cileno, Roberto Dibo, Nilson Chaves, Nato Aguiar, Zé Miguel, Leila Pinheiro, Fafá de Belém e muitos outros. Do Nordeste: Elba Ramalho, Geraldo Azevedo (amigo da casa), Zé Ramalho, Dominguinhos, Nando Cordel, Chico César, Luiz Gonzaga, Amelinha, Belchior, Fagner e muitos outros. Da região Centro-Sul: Chico Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia, Taiguara, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Kleiton e Kledir, Zélia Duncan, Djavan, Oswaldo Montenegro, Ney Matogrosso e muitos outros. Também não deixam de comparecer ao Palco, uma categoria muito especial, que são os bambas do samba: Martinho da Vila, Agepé, Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone Lara,  Benito di Paula, Emílio Santiago, João Nogueira e muitos outros.
      Como todo e qualquer programa musical, seja de rádio ou televisão, o Palco Brasil, também tem as suas particularidades. Por exemplo, sempre que é possível, um cantor, um compositor ou um patrocinador de show vai ao Palco falar sobre a sua trajetória artística, seu envolvimento com a música, etc. Por lá estiveram ultimamente: Eliana Printes, Biafra, Cileno, Nilson Chaves, etc. Outra característica do Palco: Por programa são selecionadas e executadas 3 músicas de um mesmo cantor ou de uma mesma cantora de forma contínua, durante um bloco. Há ainda, o que chamo de curiosidades musicais, que dentro do possível o apresentador "conta". Narro 3 delas aqui: 1. Moça, de Wando, segundo ele próprio, no início da carreira nos anos 70, se apaixonou perdidamente por uma morena de Santarém que o teria deixado "doido". Por isso, a letra narra um fato real; 2. Muita gente não sabe, mesmo os que gostam de música, é que um dos grandes sucessos de Chico da Silva, É Preciso Muito Amor, não é de autoria dele, mas do Noca da Portela e Tião Miramar, do Rio de Janeiro; 3. Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, para  homenagear Caetano Veloso que estava exilado  na Inglaterra, durante a ditadura militar, foi inspirada Nas Curvas da Estrada de Santos. São informações que norteiam o ouvinte sobre o porquê dessa  letra ou daquela melodia.
     Não sou músico nem crítico de música, sou ouvinte assíduo  da boa música, do bom repertório. Dentro das minhas possibilidades,  ouço três Rádios, cujos programas executam músicas brasileiras. Acredito que outros milhares de ouvintes façam o mesmo como eu. Logicamente que cada um tem o próprio gosto, a própria preferência. Nada a contestar. A Rádio Tiradentes, por exemplo, tem uma programação arrojada durante 24 horas a.d., mas às vezes exagera na execução das chamadas "músicas estrangeiras". Não dá trégua, é uma após a outra. Com exceção do Palco Brasil (70 min.), do A Voz é Sua (1 h) e Espacial Roberto Carlos (1 h) aos domingos. Apesar da observação, é correta a vinheta quando diz que na Tiradentes ouve-se sucessos que as outras Rádios não tocam. É no Palco, repito, que ouve-se antigas, novas e belas canções como destaco algumas: Um Deus Vagabundo com Bubuska; Eu Só Peço a Deus, com Beth Carvalho e Mercedes Sosa; Leão Ferido com Biafra; Amigo é Pra Essas Coisas com Emílio Santiago e João Nogueira; Falsa Alegria com Sérgio Souto; Casa Caiada com Diomedes; Renovação com Candinho e Inez; Feira Hippie com Cileno; Porto de Lenha com Torrinho (a original); Pérola Azulada com Zé Miguel; O Divã com Nato Aguiar (simplesmente impecável); Crítica com Ciro Aguiar, Naquela Mesa, de Sergio Bittencourt, com Zélia Duncan; Bem-te-vi com Renato Terra, etc. etc. etc.    

      "Passam os anos
      E como muda o que eu sinto
      O que ontem era amor
      Vai se tornando outro sentimento
      Porque anos atrás..."

Sucesso Sousa. Tenha muito mais sucesso. Vida Longa ao Palco Brasil.



    
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