O Guarani, de Carlos Gomes

    Há exatamente 180 anos (11.07.1986), nascia em Campinas, SP, o compositor Antônio Carlos Gomes, que morreu em Belém, PA, aos 60 anos em 1896. Estudou música com o pai. Aos 23 anos de idade, fez sucesso em São Paulo com o Hino Acadêmico. e com a modinha Quem Sabe?
    Foi para O Rio de Janeiro, onde continuou com os estudos de música no Conservatório. Foi lá que apresentou as suas primeiras óperas: A Noite do Castelo e Joana de Flandres.Com uma bolsa do próprio Conservatório, foi estudar música em Milão, Itália, onde diplomou-se aos 30 anos, em 1866. Daí, ser a sua música de temática brasileira e seu estilo italiano, inspirado basicamente nas óperas de Guiseppe Verdi.
    Em 1870, estreou no Teatro Scala de Milão sua ópera mais conhecida, Il Guarany ( O Guarani), baseada no romance homônimo do escritor, também brasileiro, José de Alencar. Depois dessa apresentação, a ópera foi encenada nas principais capitais europeias, consagrando o autor com um dos maiores compositores líricos da época.
    Somente assim ficou famoso no Brasil, ou seja, primeiro lá, depois aqui. Principalmente nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, numa temporada gloriosa. Retornando em seguida para a Itália.
     Com uma bolsa de estudos patrocinada por D. Pedro II, inicia a composição da Fosca, um melodrama em 4 atos, cuja estreia ocorreu em 1873, no Scala. Mas, sem sucesso de público e de crítica. Anos depois foi considerada a sua obra mais importante.
     A ópera Condor e a obra para coral Colombo, escritas para o quanto Centenário da descoberta da América, não obtiveram o sucesso esperado. Nessa época, o autor com quase 60 anos de idade, passa por grandes dificuldades materiais, mas consegue supera-las após ser nomeado para a diretoria do Conservatório de Música de Belém, PA, cujo cargo fora criado para ele pelo Governador Lauro Sodré para ajudá-lo. Mas, já bastante doente, não chegou a assumir o cargo, vindo a falecer no ano seguinte.
    Ainda na Europa, ele estreou Salvatore Rosa e Maria Tudor. Em 1880, ele voltou ao Brasil e foi recebido de forma triunfal e se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Como já era conhecido nos dois países, foi a partir de 1882, que divide seu tempo entre os dois continentes. Foi no RJ, por exemplo, que estreou Lo Schiavo (O Escravo) , de tema totalmente brasileiro. O sucesso, foi, no entanto, parcial, por causa do libreto. Apesar disso, aí está a melhor música que o compositor chegou a escrever. 
     Devido ao costume da época, os libretos de todas as óperas de Gomes são feitos em italianos, razão pela qual suas músicas parecem mais italianas do que brasileiras. Contudo, Il Guarany e Lo Schiavo são as melhores óperas do repertório brasileiro. Por muitos anos esse mestre foi considerado o compositor oficial do Brasil. 
     Os modernistas de 1922 desprezaram sua arte, por considera-la italianizada. No entanto, o público brasileiro é fiel ao seu trabalho, principalmente as modinhas românticas - como Bela Ninfa de Minh'alma, Suspiros D'alma e Quem Sabe? -, a parte mais autenticamente nacional da sua obra, e a abertura ("protofonia") de Il Guarany .
     Na década de 1990, mas precisamente em 1993, "O Guarani", voltou aos palcos europeus sob a direção de Werner Herzog, com o tenor Plácido Domingo no papel de Peri. Outro exemplo, em 1986, quando da passagem dos 150 anos do nascimento de Carlos Gomes, o cantor e compositor paraibano Zé Ramalho, lançou o LP "Opus Visionário". Na faixa 1, do lado A, a canção Zyliana trás a abertura de "O Guarani" como música incidental, com efeitos de  orquestra. É um espetáculo à parte. A sensação é a seguinte: Finalzinho de tarde. Você está num lugar tranquilo, à beira de uma logoa, por exemplo, quando, "mais que de repente" a tua audição é, agradavelmente "tomada"por um TAM, tam, tam, tam./TAM, tam, tam, tam... e a música vai passando, passando. É o som de "O Guarani". E entra Zyliana, de Zé Ramalho, com o próprio. Aí, o espetáculo se completa e você termina aquele dia, em plena harmonia. Confira a letra de 

                         ZYLIANA

NO TEMPO EM QUE EU ANDAVA PELA POEIRA
DAQUELE VELHO BREJO DE ONDE RUMEI
NÃO TINHA TANTA MÁGOA RENTE AO OLHO
DE ALEGRIA É SÓ DO QUE EU CHOREI
NÃO ANDAVA PELA RUA
CREDO CRUZ/AVE MARIA
NADA SEI DO QUE EU QUERIA SABER (BIS)
O HOMEM JÁ PROCURA AGORA UM CAMINHO
QUE O LEVE DE VOLTA PARA UM LAR
A FOZ DE UM GRANDE RIO ME ARRASTOU
E NUM TOCO BOIANDO FUI LUTAR
NETUNO COM SEU TRIDENTE
PROTEJA-ME CONSCIENTE 
NA QUEDA QUE O RIO CORRE PRO MAR (BIS)
O PESO DESSES ANOS ME ACORDOU
DE UM SONO PROFUNDO DE CONDOR
SE VOCÊ NÃO TEM NADA PRA FAZER
AMIGO NADA TENS A SE PERDER
FECHA O QUARTO COM CIMENTO
E  VEJA  QUE   MUNDO CINZENDO
E  COMO  FICOU  O  VERBO  AMAR (BIS).

É isso aí. Ouça "O Guarani", ouça "Zyliana". Fuja desse mundo cinzento (do interior de cada um de nós) e verifique como anda o verbo amar. Procure conjugá-lo sempre, no melhor tempo, na melhor pessoa, que você achar conveniente.


Referências
1. Nova Enciclopédia Barsa, vol, 7, SP, 1999, pp. 154/155.
2. Opus Visionário, com Zé Ramalho, CBS, p. 1886.
3. Enciclopédia Mirador Internacional, vol. 10, p. 1976, página 5.379.
 





 
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