Millôr Fernandes: do Méier para o mundo


     Você sabe quem foi Milton Fernandes? Foi ele mesmo, o Millôr Fernandes (1924-2012), chargista, desenhista, crítico, escritor, jornalista, etc. Nasceu no Méier, Rio de Janeiro. Seu pai era descendente de espanhol e sua mãe, de italiano. A família tinha 4 filhos (dois meninos e duas meninas). Aos 10 anos de idade, teve publicado seu primeiro desenho em O Jornal. Aos 13, inicia a sua carreira jornalística na revista O Cruzeiro. Daí, em diante, não abandonou mais a carreira literária. 
      Li em algum lugar, que Millôr era um desses autores que são invejados (no bom sentido, é claro). Esse autor, além de escrever (e desenhar) para os maiores jornais e as principais revistas brasileiros, teve sua obra traduzidas para vários países do mundo. Ele deixou uma vasta bibliografia, por exemplo: FICÇÃO E POESIA: Tempo e Contratempo (1954), Trinta Anos de Mim Mesmo (1972), Que País É Este (1978); TEATRO: Liberdade, Liberdade, com Flávio Rangel (1965), É... (1977), sua peça premiada, Os Órfãos de Jânio (1979); TRADUÇÕES: A Fábula de Brooklin (1961), Escola de Mulheres (1979), 100 Fábulas Fabulosas (2003), entre tantas outras obras. 
       O resumo do resumo da sua vasta biografia foi assim editado: "Millôr Fernandes nasceu. Aos 13 anos de idade, já estava. O que não invalida. No entanto, sua atuação teatral, até onde se sabe. Dos livros publicados, foi constatado sem qualquer dúvida. Ao concluir seu mestrado, percebeu logo. Um dia, depois de um logo programa de televisão, foi que. Amigos e pessoas vagamente interessadas, naturalmente. Onde e como, mas talvez. Millôr jamais, no caso. Ao ser agraciado disse, e não foi à toa. Entre os tradutores brasileiros. E tanto em 1960 quanto em 1978. Mas nem todo o mundo concorda. O resto, diz ele. Ou hoje em dia, como ninguém ignora".
      Simplesmente fantástico! Quem acompanhou a trajetória profissional desse gênio das letras, do desenho e do humor, sabe muito bem o que esse resumo retrata sobre Millôr. Só para exemplificar, a obra "100 Fábulas Fabulosas", é fascinante. Quase não consegui extrair uma fábula para registrar aos  meus leitores. Finalmente decidi, por está, a XIX, a seguir.
                                        A PERDA ABSTRATA
                                                                 À MANEIRA DOS ... BAIANOS 
      
      "O extraordinário professor de línguas passeando pelo Brasil punha sempre ouvidos à maneira de falar dos nativos, fossem professores, como ele próprio, ou gente simples do povo. E ficou fascinado com uma palavra que ouvia a todo momento - absurdo. E daí em diante, sempre que podia, a toda hora, dizia, absurdo! Absurdo. Absurdo! E sorria deliciosa satisfação intelectual semântica.
       Pois não é que um dia, atravessando a Baía da Guanabara a passeio, em direção a Paquetá, o professor achou a paisagem um absurdo de bonita e, que horror!, não lembrou a palavra? Tentou, levantou-se, andou até a popa do barco, depois até a proa, procurando no mais fundo da memória, mas a palavra não veio. E estava ali, de cabeça baixa, andando pra lá e pra cá, sem nem mais olhar a paisagem, quando um taifeiro lhe perguntou:
      - Que foi, cavalheiro, está sentindo alguma coisa?
      - Não, nada, estou só aborrecido. Perdi uma palavra.
      - Uma palavra? Estava escrita num papel?
      - Não, não estaca escrita em lugar nenhum. Só na minha cabeça.
      - Perdeu uma palavra que estava na sua cabeça? Perdão, senhor, mas é um absurdo!
      - É isso! Encontrou! Obrigado, meu amigo, obrigado. 
  
       MORAL: A cultura está em toda parte.

       Boa! E no Brasil atual, a cultura está onde, no Rio de Janeiro, com as Olimpíadas, em Brasília, do Impeachment, ou... em toda parte?






        Referência 
        1, Millôr Fernandes, coleção Literatura Comentada, Abril Educação, p. 1980.
        1. 100 Fábulas Fabulosas, Millôr, segunda edição, Rio de janeiro: Record, 2003.
     
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