Pai, senta aqui...

     A semana que ora se encerra, proporcionou-me três temas para fazer o comentário: dia dos pais; dia do estudante; e dia do advogado. Preferi o primeiro pelo significado representativo dadata e o elemento principal: pai.
      Embora eu alimente, desde a juventude, um enorme ceticismo sobre, praticamente, todas essas datas, por entender que são manipuladoras e voltadas para fins comerciais e menos para valores sociais, o que prevalece é o que a maioria das pessoas pensam (e fazem), não o que eu acho sobre isso ou aquilo.
      O dia dos pais é uma data comemorada no mundo todo, praticamente. No Brasil, ela ocorre no segundo domingo de agosto. Em outros países, como nos EUA, onde surgiu em 1909, por iniciativa da estudante Sonora Louise Dodd, ocorre no terceiro domingo de junho; na Espanha e Portugal, em março; na Rússia, em fevereiro, e por aí vai.
       No Brasil, a primeira proposta foi do professor Walter Poyares, do Jornal O Globo, em 1953. Mas, a primeira vez que se comemorou  essa data, foi no dia 16 de agosto de 1963, por sugestão do publicitário Sylvio Bhering, então diretor do Jornal O Globo e da Rádio Globo. O objetivo dele era tanto social quanto comercial. A partir daí, as comemorações se alastraram por todo o país, e ficou estabelecido que oficialmente seria realizada no segundo domingo de agosto. Assem tem sido  até hoje.
       Partindo para o lado da homenagem sincera, sem essa coisa do alarde publicitário, da propagando, mas da reverência de filho para pai, é claro, há relatos nas literatura nacional e estrangeira, de grandes escritores e poetas sobre esse tema. Deixo de citar nomes para não incorrer em erros, e acabar sendo injusto. Então, percebe-se que a figura do pai na vida do filho, é um valor universal. Esse é o lado bonito e necessário da homenagem. 
       Todavia, no contexto da música brasileira, tanto compositores como cantores, são muitos os que, do seu modo, tem homenageado seus pais em seus versos, em suas melodias, em suas vozes ou de outros intérpretes, independente do estilo, do gênero. Foi assim com Sérgio Bittencourt, Altemar Dutra, etc.  Tem sido assim com Carmen Silva, Roberto Carlos, Fábio Júnior, Belchior, entre outros.
       Porém, uma canção singela, mas quando é executada deixa qualquer filho sensato arrepiado e como os olhos marejados, é a de autoria de José Augusto e Paulo Sérgio Valle, cuja íntegra do poema original, pode ser conferida a seguir.

                                        O MELHOR DOS MEUS AMIGOS

VOCÊ É O MEU MAIOR AMIGO
TUDO QUE EU SOU DEVE A VOCÊ
ONDE EU FOR VOCÊ ESTÁ COMIGO
SUA MÃO SEMPRE A ME PROTEGER 
TRAGO NO MEU CANTO UMA VERDADE 
QUE EU GUARDO NO MEU CORAÇÃO 
É POSSÍVEL TER ATÉ SAUDADE
DE QUEM VIVE NA IMAGINAÇÃO
VOCÊ MEU PAI
QUE ME ENSINOU
QUE NA TRISTEZA SEMPRE RESTA
UMA ESPERANÇA
VOCÊ MEU PAI
QUE ME MOSTROU
QUE TODO HOMEM GUARDA 
UM SONHO DE CRIANÇA
VOCÊ FALOU E ACREDITOU
QUE A FÉ REMOVE QUALQUER
PEDRA DO CAMINHO
VOCÊ VIVEU
COM MUITO AMOR
ME ENSINANDO QUE NINGUÉM
ESTÁ SOZINHO
EU APRENDI E SEI QUE NADA
É MAIS BONITO QUE UM 
SORRISO DE CRIANÇA
SABER AMAR E PERDOAR
SÃO COISAS SIMPLES QUE 
EU TRAGO NA LEMBRANÇA
EU QUERO VER O SOL NASCER
E OS PASSARINHOS LIVRES
DESPERTANDO AS FLORES
EU QUERO CRER E QUERO TER
UM ARCO-ÍRIS SOBRE A TERRA
TODA EM CORES
QUERO SENTIR QUE O CORAÇÃO
AINDA GUARDA UM LUGAR
PROS SENTIMENTOS
EU VOU GRITAR PRO MUNDO OUVIR:
- O AMOR ESTÁ PRESENTE
EM TODOS OS MOMENTOS
VOCÊ MEU PAI MEU GRANDE AMIGO
QUE ME ENSINOU A PERDOAR
MEUS INIMIGOS
EU VIM DIZER E AGRADECER
POIS NÃO SERIA O QUE SOU
 SEM TER VOCÊ.

        Que legal! O mestre Rui Barbosa, disse que, se um dia, já homem feito, você perceber que as coisas não andam bem, lembre-se dessas palavrinhas fortes e gigantescas: "MEU PAI, MINHA MÃE". Há filhos que vivem sempre a reclamar da ação dos pais: "Meu pai é careta!". "Minha mãe é antiga, é retrógrada". "Eu faço parte de uma geração diferente da deles". Será?
         Se alguém pensa assim e age assim, aqui, estão, portanto, os memoráveis versos de COMO NOSSOS PAIS, do cantor e compositor baiano Belchior:
         
         A minha dor foi perceber
             que apesar de termos
                 feito tudo o que fizemos
                     ainda somos os mesmos
                        e vivemos como os nossos pais.
        
         Repita, quantas vezes se façam necessárias: "Eu vim dizer e agradecer/pois não seria o que sou/sem ter você". Triste ou não, alimente, sempre, a esperança de que novas alegrias virão. Ouça os passarinhos (que ainda restam onde você mora). Olhe para o pôr do sol, mesmo que entre os arranha-céus ou no horizonte do campinho da zona rural,  da tarde bucólica.
         Feliz dia dos pais!          
   

        Referência
        1. Encarte do LP (disco de vinil), José Augusto, lado A faixa 2, EMI /ODEON, p. 1980
        2. brasilescola.OUL. com. br.
        3. Jornal A Crítica, 10.08.2003.
  

  


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