A pergunta de Neruda

     Participava eu da reunião inaugural do ano letivo de 1998, na Escola Estadual Djalma da Cunha Batista, localizada na zona Centro-Sul de Manaus, quanto o Diretor perguntou aos presentes: "Tenho um texto e um poema, Somente um deverá ser lido neste ato. O primeiro é "Quem Morre?"; o segundo é "Aos Que Virão". Qual, então? "Quem Morre?", respondeu uma professora. E completando disse: "O conteúdo é impecável; é uma lição de vida, para todos nós".
     " Quem são os autores?", quis saber a professora de Literatura. O Diretor: "Não tenho os nomes, deles ou delas". Por isso ficou. O texto foi lido e todos aplaudiram. No final, adquiri as duas cópias e as guardei. Alguns anos depois descobri os autores. Do poema, o poeta amazonense Thiago de Mello; do texto, o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973).
     Oportunamente transcrevo-o abaixo,
  
                                    QUEM MORRE?

      Morre lentamente, quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
      Morre lentamente, quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
      Morre lentamente, quem se transforma em escravo do ´hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, quem não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
      Morre lentamente, quem faz da televisão o seu guru.
      Morre lentamente, quem evita uma paixão,  quem  prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is", em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, os sorrisos dos bocejos, e os corações aos tropeços e sentimentos.
      Morre lentamente, quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
      Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
      Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, quem não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
      Evitemos a morte em doses suaves, recordando exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. 
      Somemte a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade. 

      Muito bom. Assim, tinha razão a primeira professora, que, obviamente já conhecia o texto. Responda a pergunta de Neruda, positivamente. Conquiste esse estágio esplêndido de felicidade. A felicidade está bem pertinho de cada um de nós, ou seja, "mais perto do que pensamos", nas palavras do poeta mineiro Milton Nascimento.  
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