Mallu, a multiartista

     Qualquer que seja a pessoa, independente da sua idade, religião ou nível de escolaridade, que lida diretamente com arte ou admira arte, pelo pelo menos, uma delas (são 7, reconhecidamente) é merecedora de aplausos. Digo isso porque uma adolescente, a Angeline Silva, soube que eu detenho este espaço para fins de comentários sobre música e literatura e, ao apresentar-me um material, pediu-me que escrevesse um artigo sobre alguém que admira muito.
      Em conversa com essa menina-moça, percebi que a mesma conhece bem o repertório dessa nova geração de cantoras brasileiras como Tulipa Ruiz, Cristal, Tiê, Céu, Ana Cañas, Maria Gadú, Fernanda Takai, entre outras.
     "Parabéns!" Disse eu. "Louva-se essa sua atitude!", completei. Pois vivemos numa época que considerável parcela da música brasileira virou uma banalidade (sem desmerecer artista algum, ou qualquer gênero musical que seja).
     Vamos, então, ao pedido da jovem fã da boa música.
     Você sabe que é Maria Luiza de Arruda Botelho de Magalhães? É ela mesma, a Mallu Magalhães. Cantora, compositora e instrumentista paulista, que no último dia 29 de agosto completou 24 anos de idade.
     Filha de uma paisagista e de um engenheiro e músico amador,  apaixonado por rock clássico. Desde muito cedo - ainda criança -, Mallu ouvia atentamente os CDs e LPs dos pais e dos avôs, assim como lia os encartes dos discos.
     Autodidata. Aos 9 anos aprendeu, sozinha, a tocar violão. Depois dessa façanha, aprendeu a tocar banjo, gaita, escaleta, piano e ukulele. Todos, quando ainda era uma criança.
     Aos 12 anos passou a ocupar o seu tempo compondo músicas. Sendo a maioria delas em inglês. Foi quando em 2007, aos 15 anos de idade, gravou 4 das suas diversas composições e as disponibilizou na internet, entre as quais estão "Tchubaruba", "Ji" e "Get To Denmark", que se destacaram nesse novo meio de comunicação.
      No ano seguinte, ou seja, em 2008, ela fez sua primeira apresentação acompanhada por músicos profissionais. Desde então, essa multiartista vem ganhando  cada vez mais projeção, cujo trabalho está sendo bem aceito pelo público e setor especializado. Nessa curta trajetória, Mallu já percorreu todo o circuito de  Festivais Independentes Brasileiros. 
      Competente e habilidosa com a sua arte, ela fez parte de "Sou", primeiro disco solo do músico Marcelo Camelo, integrante do Los Hermanos, com o qual fez dueto na canção "Janta", ainda naquele de  2008. E também lançou seu primeiro álbum, gravado no Rio de Janeiro, RJ, com equipamentos vintage, tal qual aqueles que eram utilizados pelos The Beatles, nos anos 60.
      A partir de então, vieram outros 3 CDs e 1 DVD. Ao saber que  o seu  trabalho estava sendo bem acolhido  por diversos segmentos musicais, em janeiro de 2009, foi à Europa, onde se apresentou em Portugal, mas precisamente nas cidades do Porto e Lisboa.
      De volta ao Brasil, participou dos maiores Festivais, como as edições do Planeta Atlântida, Festival de Inverno, João Rock, etc. Participou também do Projeto Beatles 69 com a canção "How D' you Do", inedita de Paul Mccartney, composta em 1969. E note-se, toda essa movimentação musical sobre uma artista de apenas 18 anos de idade.
      Apesar dessa correria, ainda naquele ano de 2009, reservou tempo para lançar o seu segundo disco "Mallu Magalhães", com participações especiais (Mauricio Takara, Kassin e um naipe de músicos eruditos). Nesse trabalho a cantora mostra maior abertura em termos de linguagens musicais. "Embora mantendo suas raízes no folk e no pop rock, agora ela flerta com o reggae, com o samba da tropicália e com ambientação da música sinfônica".
      Esse CD doi bem recebido, tanto pela crítica especializada, como pelo público em geral, como uma evolução ou amadurecimento artístico por parte de Mallu". Isso demonstra o quando o seu trabalho é dinâmico.
      Em 2011, lança Pitanga,  seu terceiro CD. É nesse disco que estão inseridos os singles "Velha e Louca" e "Sambinha Bom". O videoclipe causou certa polêmica ao mostrar um lado mais sensual da jovem cantora.
      São de "Sambinha Bom", os deliciosos versos:
      
      "Sambinha bom
        É esse que tem pouca nota 
        Que é só tocar
        Que logo você quer cantar
        Meu coração
        Já cansou de tanto choro derramar
        E implora: volta pra gente sambar".
  
      Em novembro de 2012, Mallu participou da primeira temporada da série "Mulheres do Brasil", em homenagem à Elizeth Cardoso, com novas versões de "Demais" e "Manhã de Carnaval". No ano seguinte, participou da música "Quando a Casa Cai"  do novo álbum de Dado Villa-Boas, o " Passo do Colapso".
      Em 2014, ela formou a Banda do Mar com Marcelo Camelo e o português Fred Pinto Ferreira. Ainda naquele ano, "fez uma pequena participação em Tim Maia ( o Filme) em uma cena representando a cantora de Bossa Nova, Nara Leão".
      Atualmente, Mallu mora em Portugal, com a filha Luísa, que completará seu primeiro aninho no próximo mês de dezembro e o marido, o músico Marcelo Camelo, onde continua ativa na música, assim como aqui no Brasil, sempre. Recentemente, por exemplo, esteve na cidade do Rio de Janeiro, onde fez o show "Saudade".
      A seguir, leia a letra da música "Velha e Louca", a qual já foi acessada mais de 14 milhões de vezes. E, segundo a própria cantora e autora, a mensagem dessa canção é retratar que à medida que uma pessoa vai amadurecendo, deixa de se importar com as opiniões nada edificantes por parte de quem quer que seja.

              VELHA E LOUCA

Pode falar que eu não ligo
Agora,  amigo,
Eu tô em outra,
Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca.

Oh, oh, oh...
Eu tô na estrada,
Eu não sei da hora,
Eu nunca sei de nada.

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passe batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.

Pode falar que eu nem ligo,
Agora eu sigo
O meu nariz
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca.

Pode falar, não importa
O que tenho de torta
Eu tenho de feliz,
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta.  

      Muito bem! Sejamos assim, vendo em cada canto (também de lugar), o lado bom de ser, de ir, de vir, de estar, de viver. Cada  um 
de nós precisa tirar proveito de tudo em prol da boa vida. De cada coisinha, de cada instante. De cada segundo, de cada minuto, de cada hora.
      Parabéns, Angeline, por este material que apenas reformulei algumas frases. Continue assim, apreciando a boa música. Ela enriquece o conhecimento e enobrece o espírito.


Referências
1. www. vagalume. com. br
2. pt. wikipedia.prg
3. www. mallumusic.br
 






.
Tecnologia do Blogger.