Natal Celestial

     Em 1973, a gravadora Beverly lançou um LP (disco de vinil) com 12 canções natalinas. Daí, o título: "Natal Celestial". No lado A, acompanhado pelo conjunto "CELESTIAL" está o trabalho do solista de harpa Rufino Candia; no lado B, acompanhado pela Orquestra "CELESTIAL", está a regência de Herminio Gimenez, violino de Clemente Capella e harpa paraguaia de Rufino Candia. Trata-se de uma obra imperdível, apesar de 43 anos após a sua edição.
      Na contracapa há um excelente comentário desses mestres sobre as músicas que compõem esse trabalho, e, do qual extraí alguns trechos por considerá-los oportunos para este momento, assim como se adequa ao perfil deste blog.
      De início, já definem o Natal, como sendo, sem dúvida alguma, o momento mais revestido de misticismo do ano, entre 8 e 25 de dezembro. Pois, com ele, tem-se a sensação de sossego, alegria e irmandade humanas. 
      "A vida continua, os problemas e as alegrias prosseguem sendo os mesmos, surpresas agradáveis ainda se entrelaçam ironicamente com as desgraças inesperadas, mas tudo isso ocorre em clima de esperança, de impressionante paz espiritual, dificilmente identificável em suas causas".  
      E os autores questionam: "Seriam as figurinhas festivas nas vitrinas? Séria a própria fé? A alegria cristã pelo nascimento do Salvador da humanidade? Seriam os presentes ansiosamente aguardados? As mesas festivas, com toda a família em torno? As recordações ligadas estritamente a tudo isso?" 
      Os próprios garantem: "Ninguém pode explicar exatamente". Prosseguindo, asseguram: "O certo é que a simples aproximação do Natal transforma as criaturas e até mesmo as que tentam negar seu otimismo não logram argumentação que fundamente o que afirmam". Há, portanto, quem garanta que "são as lindas músicas natalinas que fazem o Natal!"
      Aí entram em cena as canções do disco, como por exemplo, Noite Silenciosa ou Jingle Bells, ambas de D. P., que enternecem a alma da gente. Fim de Ano, de Francisco Alves e David Nasser; Adeste Fidellis (tradicional portuguesa); Boas Festas, de Assis Valente; e Boneco de Neve, de Rufino Candia. Todas do lado A. 
      O histórico delas torna tudo mais fascinante ainda. Senão vejamos: Noite Silenciosa, canção composta para ser cantada numa igrejinha europeia do século XIX, por Franz Gruber, sendo até hoje o "hino oficial de Natal". Por sua vez, Jingle Bells, é sucesso natalino nos EUA, há quase um século. Fim de Ano, é coisa nossa, ou seja, prata da casa. Desde a sua criação, tornou-se um dos "hits" nessa época do ano.
      Porém, a beleza dessa obra continua no lado B, onde estão outras obras-primas como: Serenata e Ave Maria, de Franz Schubert; Serenata, de Rimpianto (Enrico Toselli); Réverie, de Trãumerei (Robert Schumann); Ave Maria, de Bonaventura Somma; e Largo, Georg Frederick Haendel. São clássicos, que, "por sua suavidade e expressão, podem ser ouvidos com especial enlevo nas proximidades de Natal". 
      Seus históricos constatam que realmente são obras inesquecíveis. Exemplificando, temos: A Ave Maria de Schubert foi composta sobre um texto de Sir Walt Scott, e, possivelmente, nem ele "podia supor que um dia se transformasse num clássico da música religiosa.". Enquanto que Serenata, foi escrita numa noite de bebedeira. Contam, que após a "ressaca", Schubert, "ainda consegui recordar a melodia e passou-a para a pauta. Hoje, é uma de suas mais divulgadas obras". 
      A outras Serenata, a de Toselli, é indispensável à programação de Natal. É uma das mais inspiradas criações desse italiano, "e já mereceu até mesmo um filme, graças às inúmeras lendas que a cercam ainda hoje".
     No caso de Rêverie, trata-se de um trecho das "Cenas Infantis", para piano, de Schumann. Pela tradução literal devia chamar-se "Devaneio". Essa canção é uma das "eternas" páginas da história da música mundial.
      "Finalmente - dizem os músicos -, a Ave Maria do italiano Bonaventura, lançada em discos nos anos 50, tornou-se um "clássico" da música religiosa até hoje".
      Essa abordagem sobre esse disco memorável com temas natalinos, fez-me lembrar de alguns anos passados quando eu ministrava aulas de Educação Artística. Por esta época, no final do ano letivo, professor e alunos combinavam que cada escrevesse uma mensagem, um poema, um canto, etc. Mas a turma não poupava o mestre. Ele também era "obrigado" a apresentar o seu trabalho.
      Numa dessas atividades, eu escrevi o poema Itapiri  (o mesmo que Papiri, Tapera, Palhoça, Casebre, etc). O resultado foi positivo para toda a turma que elegeu o poema como um dos melhores. A garotada achou muito engraçado porque no contexto da história estavam um papagaio e um cachorro (1ª estrofe). Depois, eles desaparecem (2ª estrofe). Eis aqui o  poema de dezembro de 1994:

                                I T A P I R I 
   
           Aqui não tem bens materiais 
           nem  tais  ciências  espaciais.
           Aqui moram
           a minha nora Liberdade,
           minha filha Felicidade
           e o  meu filho  Sorriso; 
           o papagaio Aviso, 
           minha sobrinha Alegria
           e o  cachorro Dia-a-dia;
           a minha mulher Flor
           e eu, Azamor.
         
                      Hoje nos reunimos com:
                      Liberdade,
                      Felicidade,
                      Alegria,
                      Sorriso, 
                      Flor e
                      Amor, 
           para desejar-lhes 
           FELIZ  NATAL!

      Você já viu como está o dia lá fora: Muito sol? muita chuva? Muitas gente? Carros apressados? Se você fez essas e outras observações, parabéns! Porque assim você demonstra que está atento às coisinhas do dia-a-dia  que compõem a nossa vida. Então, lembre-se neste Natal, dos que são castigados pelas secas no sertão nordestino; dos que estão eu alto mar a procura de refúgio; dos que estão sob os escombros das guerras; dos que foram vítimas do Estado Islâmico;  dos que não dormem com medo do tal de Trump lá pela América do Norte; dos que estão doentes como...; dos que formam um bilhão de pessoas que passam fome no mundo.
      Apesar  dessas e outras circunstâncias, desejo que todos tenham um Natal Celestial, espiritual, repleto de  felicidades em todo o Planeta.  Principalmente os leitores do Facetas. Um abraço legal, especial, para os acadêmicos do 1º período do Curso de Letras de 2016, do turno vespertino da UFPE, lá em Recife, que não desperdiçam nenhuma palavrinha, sequer, desde semanário. Peço-lhes, portanto, que hoje reúnam-se com as pessoas que você ama e que amam você sob as bênçãos do Menino Jesus!
   

     Atenção!
      O Facetas não tira férias. Ele vai continuar trabalhando para produzir bons artigos aos leitores que estão no ócio, ou seja, em férias.


Referências
1.LP Natal Celestial, gravadora Beverly, p. 1973.
1. baudolongplaying.net
           



  
      
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