Aos Psikeiros, nota 10

        Há pessoas que cantam e encantam as demais pessoas, com a sua música, a sua arte. Assim é o cantor e compositora amazonense (manauara), Félix Aranha Jaqtinon. Formado em Artes pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com habilitação em Religião e Artes Visuais. É professor da rede estadual de ensino.
        Ainda criança, já era fascinado por música. Esse interesse aumentou ainda mais quando foi cursar o ensino médio, e na escola via rodas de alunos e entre eles, alguém tocando instrumento de cordas, o popular violão.
        Até então, não havia decidido em qual curso superior deveria ingressar. Porém, em 1994, quando era finalista do 2º grau, no Colégio Djalma Batista, Zona Centro-Sul de Manaus, curiosamente, por meio de um teste vocacional, aplicado por seu professor de Física, tomou uma decisão: fazer o vestibular para Educação Artística. Nessa época já tocava violão e cantava, como amador, claro. Sempre apoiado por amigos. Por sinal foram eles os responsáveis por suas apresentações em Feiras Culturais,  Bares e Sextas Culturais, no próprio campus da UFAM.
        Por um ano e meio estudou música acadêmica-erudita, mas considera suas tendências artísticas, sua musicalidade, de caráter popular. Por esse aspecto, é um autodidata, uma vez que os seus estudos universitários, não são a essência de sua atividade artística. 
       Ao reportar-se sobre o mercado fonográfico, garante que enfrenta problemas como a grande parcela dos artistas nacionais. Pois, se é difícil gravar um disco, mais difícil ainda, é obter boas vendas e aceitação do seu trabalho pelo público, em geral. No entanto, o artista jamais  deve desistir dos seus objetivos, e sem esquecer este mandamento: "Todo artista tem de ir aonde o povo está", no cumprimento às sagradas palavras do menestrel das Gerais, Milton Nascimento.
       Diante desse quadro repleto de obstáculos, Aranha desenvolve um trabalho artesanal, caseiro, ou seja, o resultado - venda de CDs e apresentações - é obtido diretamente de amigos e admiradores.
       A reunião desses esforços e a sábia persistência, resultou, em 2008, no lançamento do seu 1º CD, "Canções". Destinado, especialmente, ao público frequentador de barzinhos, onde faz as suas apresentações semanais.  Esse álbum contém 15 canções que são muito conhecidas nacionalmente, como Quando, Canteiros, Ouro de Tolo, Pais e Filhos, entre outras.
        Em 2015, lança seu 2º CD, "Os Psikeiros" (ao vivo e na tora!), composto por 11 músicas como Sonífera Ilha; Disritmia; La Belle D'jour; Ai Que Saudade D'ocê, etc., do nosso cancioneiro popular. Nesse disco, o autor conta com salutar apoio do parceiro, o percussionista cearense de Baturité, Strondo Zabumbada (Francisco Assis).
        Em meados do ano passado, lança seu 3º CD, o Acústico com 10 músicas, sendo duas delas de sua autoria e parceiros: Para Sempre Meu Cais,com Maurício Saunier e Maria do Céu,com Célio Cruz e Gonzaga Blanter. Esse disco traz uma novidade: as 15 músicas do 1º CD estão inseridas neste, totalizando 25 faixas. Um trabalho excelente. Muito bem produzido, tanto no aspecto gráfico quando musicalmente. 
         Aos poucos esse cantor vem se firmando no meio musical local (ainda). A tendência é crescer cada vez mais. Tem talento e vocação. E por cima, não perde de vista a humildade. É só ler os agradecimentos na contracapa do seu último trabalho:

                             "...À Deus pelo dom da música. 
                           Aos amigos/parceiros sempre dispostos e a postos:
                      Célio Cruz, Gonzaga Blanter, Maurício Saunier, Strondo Zabumbada, 
                      Alessandro, Robert Rull e a todos os grandes amigos sempre presentes.
                            Aos fãs e admiradores pelo carinho e incentivo."
          
           Humildade. Essa é a marca dos grandes vencedores. No presente caso, o artista vai onde está o seu fã, ou aquele interessado em adquirir o seu produto, sem perder de vista as suas apresentações, as quais faz com regularidade. Garante que até o final de 2017, lançará seu 4º CD, 100% autoral, que é o "sonho de todo artista brasileiro".
          Ainda sobre o 3º CD, ´percebe-se que a seleção das músicas foi bem criteriosa, principalmente quando leva-se em consideração, a unificação do repertório do 1º CD. Onde estão, por exemplo, Chão de Giz; Espumas ao Vento; e Ai Que Saudade D'ocê, que são verdadeiro presente para o público desse gênero musical. Até porque, trata-se de um artista muito exigente consigo mesmo, o que reflete na qualidade do seu ofício. Ele procura, sempre, produzir o melhor para o seu público.
          Aranha e Strondo formam Os Psikeiros, os quais prometem lançar, no próximo mês de fevereiro, um CD para comemorar dois anos de parceria, com o melhor que têm de música. Essa dupla  já tem um público cativo na noite manauara. São muito bons, pois conseguem com notável habilidade apresentar o que há de melhor na MPB com forró de raiz, num repertório eclético agradabilíssimo aos ouvidos. Os estilos se sucedem: Xote, Baião, Xaxado, Merengue, Boi Bumbá, Carimbó, etc.
          Num dos seus shows, a cantora Simone disse: "É incrível como a música não fica velha". Verdade. Basta pô-la uma roupa nova e o antigo sucesso está de volta. Foi isso que fez o artista amazonense. Com muita técnica, equilibrada interpretação e uma nova releitura de alguns sucessos nacionais (anos 80, 90, 2000) que tudo ficou ótimo, como "Sonífera Ilha", dos Titãs;  "Garotos", do Leoni; "Outono", do Djavan; "Chão de Giz", do Zé Ramalho, e tantas outras. Por sinal, Chão de Giz, é um um espetáculo à parte, na na interpretação de Félix Aranha. É impecável!
        Na última 4ª feira desta semana, assisti a uma apresentação dele, na praça  de alimentação do Shopping UAI! de ótima qualidade: repertório notável, sonorização ideal; interpretação ímpar e ambientação padronizada. Era como se o espectador estivesse ouvindo o CD gravado em estúdio. Muito bom mesmo. O patrocinador está de parabéns por possibilitar aos frequentadores daquele  espaço a audição de músicas nota 10, interpretadas por um profissional nota 10.
        Uma das canções de sua preferência, criada em parceria com Maurício Saunier é  Pra Sempre Meu Cais, cuja íntegra da letra é esta:
   
         PRA SEMPRE MEU CAIS

Mal sabes que ele é você
O Rio Mar VERDE claro e profundo
Onde lanço-me ao fim do mundo
Navegando só pra te ver
     O barco é a minha viola
     O vento é a minha canção
     Cantando o ar que respiro
     Inspirado no meu coração
Na boca dos furações
Castiga-me os tempos
Salva-me ó Porto Seguro
Teu corpo pra sempre meu cais


     Quem tiver interesse em adquirir os trabalhos de Félix Aranha, entrar em contato pelo telefone 99388-2599.

Referência

1. CD Os Psikeiros: ao vivo e na tora!, Lucas Leão Produções, Manaus, 2015;
2. CD Acústico, Lucas Leão Produções, Manaus, 2016;
3. Entrevista com Félix Aranha (18 questões).
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