Uma Mensagem a Garcia

    Elbert Green Hubbard nasceu nos EUA em 1856 e morreu no naufrágio do navio Lusitânica, em 1915. Fundou a editora Roycroft Press, em Nova York. Como editor e diretor, publicou as revistas The Philistine e The Fra.
    Em seu relato de primeiro de dezembro de 1913, detalha como escreveu Uma Mensagem a Garcia, Foi após o jantar a 22 de fevereiro de 1899. Em uma hora o texto ficou pronto. Publicou no mês seguinte na revista "Philistine". "O artigo brotou espontaneamente do meu coração, redigido como foi, depois de um dia afanoso, durante o qual tinha procurado convencer alguns moradores um tanto renitentes do lugar, que deveriam sair do estado comatoso em que se compraziam, esforçando-me  por incluir-lhes a solidariedade".
    "A ideia original", veio-lhe após uma conversa com o filho Bert, o qual sustentava "Ter sido Rowan o verdadeiro herói da guerra de Cuba. Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado - levou a mensagem a Garcia". "É verdade", pensou Elbert. "O rapaz tem toda a razão, o herói é aquele que dá conta do recado - que leva a mensagem a Garcia".
    "Levantei-me da mesa e escrevi "UMA MENSAGEM a GARCIA" de uma assentada". No entanto, ele mesmo fez pouco caso ao artigo, ao ponto de publicá-lo sem título. Mas, os pedidos para a edição de exemplares extras a partir de março daquele ano (1899) começaram a aflorar. A American News Company encomendou mil unidades em forma de folheto. A Estrada de Ferro Central de Nova York, solicitou a impressão de cem mil exemplares.
    Sem estrutura gráfica para atender ao pedido, o autor autorizou que a "Central" imprimisse e distribuísse os folhetos. A profusão foi tão avassaladora que "duas ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente. Além disso, foi o artigo produzido em mais de 200 revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas".
    O texto foi traduzido para o russo e cada empregado da estrada de ferro na Rússia recebeu um cartilha. O gesto foi seguido pela Alemanha, França, Turquia, Hindustão e China. Durante a guerra entre Rússia e o Japão, cada soldado russo que ia para o front recebia  sua "mensagem", O mesmo fizeram os japoneses após encontrarem os livretos em poder dos prisioneiros russos, distribuindo um exemplar a cada empregado civil ou militar do governo japonês.
    Em 14 anos - entre 1899 e 1913 - mais de 40 milhões de unidades foram impressos, "o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes".

    Vamos, então, a "UMA MENSAGEM A GARCIA", da qual extraí, os principais trechos, sejam citações ou não, assim.

    Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os EUA, o que mais interessava aos dois países era comunicar-se com o líder dos REBELDES, Garcia que estava em algum lugar do interior de Cuba. Mas, onde exatamente? Como contata-lo por carta ou telegrama? O Presidente americano precisava urgentemente de sua colaboração. Que fazer?
    Alguém lembrou ao chefe: "Há um homem chamado Rowan, o único capaz de encontrar Garcia". Então, ele foi apresentado ao Presidente, que lhe confiou uma carta a ser entregue a Garcia. De posse dela, o emissário meteu-se numa capa impermeável, amarrou a correspondência sobre o peito, e, após 4 dias, saltou de um pequeno barco, alta noite, em solo cubano; se embrenhou no sertão e três semanas depois surgiu do outro lado da ilha, tendo atravessado à pé um país hostil, entregando a carta a Garcia. Quando Rowan pegou a carta das mãos do Presidente Mac Kinley nem sequer perguntou: "Onde é que ele está? "Quem é ele?
    Eis aí um homem digno de ser lembrado em cada escola do país, após esse gesto. Porém, "não é sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução dobre isso ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras para atuar com diligência para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia".
    O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. Sabe-se que existe grande número de homens imbecis e sem habilidade ou por falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.
    "Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer de força, quer de suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo".
    Elbert instiga o leitor e recomenda que o próprio tire a prova. Por exemplo, você está num escritório cercado de empregados. Chama um deles e pede-lhe: "Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio".
    Você acha que ele vai dizer: "Sim, Senhor". Nada disso! Ficará perplexo e de soslaio, faz as seguintes perguntas: Quem é ele? Que enciclopédia? Onde ela está? Fui contratado para fazer isso? Não quer dizer Bismark? E se Carlos fizesse a pesquisa? Corrégio já morreu? Precisa do resumo com urgência? Não é melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer? Para que quer saber isso?
    "E aposto dez contra um que", depois de tudo esclarecido, ele irá pedir a um colega que o ajude a encontrar Garcia, e, depois, "voltará para te dizer que tal homem não existe". Há exceções, é claro. "E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez de vontade, esta atrofia de disposição de solícito  se pôr em campo e agir - são as coisas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço redundar em  benefício de todos?
    "O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de se não fizer, ser despedido no final do mês, Anuncia precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar - é, o que é mais grave, pensam que não é necessário sabê-lo". 
    "Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?"
    Há empregado excelente no cumprimento do seu ofício. Mas, certo dia é chamado a deixar as suas obrigações e, lhe é dada uma nova incumbência. Demora muito para realizá-la que no final, já não se recorda mais da tarefa dada. Você confiaria nesse homem ao ponto de enviar por ele uma carta a Garcia?
    "Ultimamente (isso em 1899) temos ouvido muitas expressões sentimentais externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata de trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado  de muita palavra dura para com os homens que estão no poder".
    "Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscientemente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais faz do que "matar o tempo", logo que ele voltas as costas". Por isso, só fica na empresa quem é capaz de zelar por ela, isto é, "cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores - aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia".
    "Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem fibra para gerir um negócio próprio e que ademais se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa (...), se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: "Leve-a você mesmo'". Indivíduo assim é moralmente aleijado e não é digno de compaixão (nem de ocupação profissional), Deve-se sim, verter uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, de espírito empreendedor, obtendo êxito, obviamente; "ao homem que sabe dirigir e coordenar os esforços de outros e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência".
    "Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem  de recomendação.Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos", Quem foi empregado e é patrão, sabe que alguma coisa pode dizer de ambos os lados.  . 
    A nossa atenção deve está voltada para o homem que trabalha conscientemente, esteja presente o patrão ou não. A este é confiada a missiva a ser entregue a Garcia. Sem perguntas e sem que a mesma seja jogada na sarjeta mas que chegue às mãos do destinatário. Esse homem não precisa forçar a barra por um aumento de salário. 
    "A civilização busca ansiosa, insistentemente homens nestas condições. Tudo que um tal homem pedir ser-lhe-á concedido. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência de um homem capaz de levar uma "Mensagem a Garcia'".

    E você, conhece algum Rowan que possa levar a MENSAGEM A GARCIA, ou prefere aprender a lição com esse ensinamento de Elbert, quase 120 anos depois de tudo dito e escrito?

Referência
1. Costa, Luís. Leia Comigo, ( coletânea), segunda edição amp. e rev., Manaus, Imp.Of. do Estado 1997  
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