Bom dia, felicidade!



Amar, A Esperança, Felicidade, Inscrição, Pulseira
Fonte: Pixabay (An_Photos)
                       Quando penso em você 
  Fecho os olhos de saudade
    Tenho tido muita coisa 
    Menos a felicidade.

 

 
      Estes são os memoráveis e iniciais verso de Canteiros, da poetisa carioca Cecília Meireles. Se o poema por si só é belo, mais elo ainda ficou quando foi musicado pelo cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, nos idos doas anos 70.            
     No dia a dia do ser humano, alguns assuntos são universais, ou melhor, alguns sentimentos estão arraigados em cada pessoa, em cada um de nós, independentemente da classe social em que vive, do grau de instrução, da idade, da cor da pele, da religião que professa. O amor, a saudade e a felicidade, formam o tripé da vida de cada um (pelo menos deveria ser assim!).
     Então, vamos à felicidade. É ela contentamento.  É euforia. É paz interior. Onde encontrá-la (no sentido da percepção)? Há quem diga: "Ela não existe!". Há quem diga: "Sim, ele existe!". Há, ainda, os entusiasmados: "Eu sou feliz!" "Eu vivo feliz!". A felicidade pode ser complementada? Assim, por exemplo: Arte e felicidade; Ciência e felicidade; Religião e felicidade; Economia e felicidade. 
     A Filosofia trabalha o conceito felicidade, independente da vontade daqueles que acreditam ou não nela. O filósofo, doutor Savian Filho, questiona: O que permite ao ao homem a realização que recebe o nome felicidade? O que se oculta por trás do nome felicidade? Ele mesmo completa: "É assim que muitos filósofos concentram-se em um conteúdo comum a todas as concepções de felicidade: o prazer. Ser feliz é ter prazer; ter prazer é sentir-se realizado. A experiência do prazer e sua relação com a realização pessoal podem ser, então, chaves para abrir a porta do esclarecimento da felicidade 1".  
     Lá pela antiguidade, Diógenes Laércio, já defendia as ideias propostas por Aristipo, pois ambos acreditavam que o ser humano está sujeito a duas emoções: o prazer e a dor. O prazer é considerado "um movimento agradável que satisfaz a alma". A dor, "um movimento violento que a oprime". Defendiam ainda, "que todos os prazeres são iguais e que nenhum é mais sensível do que o outro; todos os seres vivos procuram o prazer e fogem da dor. (...)". Assim sendo, "a felicidade não é nada; ela seria apenas o conjunto dos prazeres e a ausência da dor".
     "Oh eu não sei se eram os antigos que diziam/Em seus papiros Papillon já me dizia/Que na tortura toda carne se trai (Vila do Sossego, Zé Ramalho)". Isso justifica: a dor afugenta o prazer. Hoje, isso é óbvio, mas, naqueles primórdios, não.
     Passa pessoa passa seu recado, sua mensagem, seus sentimentos. Por meio, é claro, daquilo que tem, permitindo chegar a outrem. O poeta, pelo verso; o escritor, pela prosa; o compositor, pela canção; o cantor, pela interpretação, o autor, pela representação, o recital, pela declamação, todos, enfim, pela emoção... Mas, apesar de tudo isso, "Tenho tido muita coisa/Menos a felicidade".
     No início dos anos 70, milhões de jovens viviam embalados pelos sons da Jovem Guarda, da Bossa Nova, do Tropicalismo, do Rock in Roll e outros ritmos. Em 1971, a dupla Roberto e Eramo Carlos, escreveram estes versos na canção, Não Fique Triste Assim:
                                      
                                            Não fique triste!
                                            O mundo é bom -
                                            A felicidade até existe!
                                                           (...)
                                            Esqueça o mal,
                                            Pense só no bem,
                                            Que assim a felicidade um dia vem... 

     Por falar em dupla, dois dos arquitetos da Bossa Nova, Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, compuseram um dos clássicos da época. A canção está vivinha até hoje: A Felicidade. Alguns dos seus versos estão assim constituídos:
  
                                            A felicidade é como a gota
                                            De orvalho numa pétala de flor
                                            Brilha tranquila
                                            Depois de leve oscila
                                            E cai como uma lágrima de amor
                                                    Tristeza não tem fim
                                                     Felicidade sim (refrão).

     Seguindo esse mesmo tema, o compositor Cláudio Rabello e outros, escreveram Felicidade, e em 1998, foi um grande sucesso na voz de Fábio Jr. (LP "Vida"). Por sinal, a música foi tema da trilha  sonora de uma telenovela homônima.Uma de suas estrofes traz estes versos: 
                                          
                                             Felicidade brilha no ar
                                             Como uma estrela, que não está lá
                                             É uma viagem, doce magia
                                             É uma ilusão que a gente não escolhe
                                             Mas que espera viver uma vida. 

     Um dos grandes mestres da nossa música, Lupicínio Rodrigues publicou em 1974, Felicidade (Felicidade Foi Embora). Em 1984, foi lançado um LP em homenagem a esse mestre, pela Polygram Discos. A interpretação desse poema coube a Caetano Veloso. Ela é simplesmente impecável. Em 1997, a RGE lança a coleção "MPB Compositores", e a referida canção vem na interpretação de Inezita Barroso e Roberto Correia, também é pura emoção. Vamos à letra:

    Felicidade foi embora/e a saudade no meu peito/ainda mora/e é por isso que eu gosto/lá de fora/sei que a falsidade não vigora.      
     A minha casa fica lá detrás do mundo/onde eu vou em um segundo/quando começo a cantar/o pensamento parece uma coisa à toa,/mas como é que a gente voa/quando começa a pensar.
     Na minha casa tem um cavalo tordilho/que é irmão do que é filho/daquele que o Juca tem/e quando eu pego meu cavalo e encilho/sou pior que limpa-trilho/corro na frente do trem.
     
     O mestre Savian, justifica a inclusão deste tema na sua obra filosófica, com o objetivo de mostrar ser possível investigar a felicidade relacionada ao prazer, por um lado. Por outro, que a mesma "pode ser entendida como atividade (e não como estado estado psicológico, a despeito do uso corrente do termo)". 
    Diante desses princípios de Sophia, pergunta-se: é possível superar a dor, a dor do físico, dos sentimentos, do preconceito, do medo, da incerteza, da desesperança? SIM. Mas, para tal, cada um precisar fazer predominar a felicidade sobre toda e qualquer que seja a circunstância vivida.
     Para inspirar vocês, indico alguns filmes para refletirmos: o que é felicidade? qual(is) a(s) nossa(s) felicidade(s)?: À Procura da Felicidades (2007); Happy - Você é Feliz? (2011); Sim, Senhor (2009); Simples como Amar (1999). 
       
    Em tempo: O título foi baseado no poema de Vinicius de Moraes, Bom dia, Tristeza!

   
       Fonte

    1. Savian Filho, Juvenal. Filosofia e filosofias: existência e sentidos - 1. ed. Belo Horizonte, autêntica editora, 2016.
  2. CDs 13 e 23 da Coleção MPB Compositores, Tom Jobim e Lupicínio Rodrigues, respectivamente,  RCE Discos, 1997.
      3. Repertório Completo de Letras, Roberto Carlos, Luzeiro, 1986.
      4. LP Grantes Mestres, Lupicínio Rodrigues, Polygram Discos, 1984.
      5. LP "Vida", de Fábio Jr, CBS, 1988.
      6. Imagem -  https://pixabay.com/pt/amar-a-esperan%C3%A7a-felicidade-2647700/
       
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