"Os trovadores do IFAM!"

     No final do mês passado, no dia 29, foi lançado na sede do IFAM (antiga Escola Técnica Federal do AM), o livro HORIZONTES CRUZADOS: Antologia literária dos alunos do IFAM, organizado pela professora Alzanira Santos.
     A "obra reúne contos, poemas e crônicas produzidos pelos alunos do Instituto Federal do Amazonas, no período de 2004-2008. Uns nasceram no cotidiano das atividades de produção textual em sala de aula. Outros são trabalhos apresentados na mostra de Poesia, Contos e Crônicas que é realizada anualmente durante a Semana Cultural. Outros, ainda, são produções espontâneas de alunos, que os escrevem ao longo do ano letivo e vêm mostrá-los em busca de opiniões e críticas" 1.
     A idealizadora do projeto e organizadora do material que resultou na obra é bastante conhecida nos meios estudantis, pela sua alegria contagiante, dedicação e competência profissional, principalmente entre as crianças e os adolescentes.
     A seguir, um pouquinho da biografia dessa fantástica mulher: ALZANIRA SANTOS. Ela "é professora com mais de 35 anos de experiência no Ensino da Língua Portuguesa e alfabetização. É graduada em Letras (Português/Inglês) pela Universidade Federal de Rondônia e possui Mestrado profissional em Ensino Tecnológico pelo Instituto Federal do Amazonas. Lecionou, durante 24 anos, no Estado de Rondônia, nos Municípios de Ariquemes, Machadinho do Oeste e Porto Velho. Atualmente é professora no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas. Campus Manaus Centro/IFAM CMC, onde segue no ensino da Língua Portuguesa, com abordagem específica para produção textual, escrita criativa e expressão artística dos alunos. Atua também como voluntária na alfabetização de crianças  e adolescentes, no bairro Tarumã, na periferia de Manaus!".
     A apresentação da obra é do ilustre professor Raymundo Luiz de Sales Teixeira, o qual registrou as suas primeiras palavras, classificando os alunos-poetas; os alunos-cronistas; e os alunos-contistas de "Os trovadores do IFAM!"
     Porém, o mestre quer mais. O mestre diz mais. Sua sensibilidade poética se completa quando são entrelaçadas estas palavras de sua autoria: "Aqueles que fazem do sonho uma vereda para a realidade, adocicando o amargor da dura vida, cantando as eternas utopias do ser humano, deixando no papel as angústias e aspirações de uma época".
     Tem mais. Vai além, quando afirma: "Selecionar os sonhos em letras, os suspiros de poetas quase crianças (...)  não foi tarefa fácil". Não há, portanto, como não se emocionar "com a música inerente e inigualável da literatura". Antes de qualquer coisa, precisamos conhecer "o mundo ideal e real através dos olhos graciosos e argutos de nossos meninos e meninas".
     É dever nosso, acima de tudo, como pais, professores, gestores, enfim, como cidadãos, ler e refletir sobre esses "espíritos juvenis"; ter contentamento "desses tagarelas que alegram nossas vidas", principalmente pela sinceridade que lhes é peculiar.
     Por fim, aquele educador, grafa estas palavras num paragrafo de significados maior que "Os Lusíadas": "Estamos orgulhosos de vocês. Parabéns!"
     Confesso: já li obras, cujas apresentações são um capítulo à parte. Isso mesmo. Independente de qual seja o contexto da obra. Contudo, muitas vezes, as palavras estão enlatadas, "quadradas". Aqui, não. Os vocábulos expressam pura emoção, por serem puramente belos! Em meia página e seis parágrafos o autor consegue agitar o coração do leitor e completando diz ser "imensamente prazeroso orientar e amar nossos alunos". Assim, como é imensamente prazeroso lê-los.
     Por sua vez, logo no início do prefácio, a organizadora revela sua paixão por filmes antigos. E, num deles, estava esta frase: "O céu é o lugar onde os sonhos se realizam".
     "Se assim for - continua -, então o IFAM é o meu céu".  Porque há muito tempo, sonhava com essa antologia. Agora ela está pronta. Bem aqui. Diante dos olhos do leitor, o qual poderá escolher poemas, crônicas ou contos e também ter o seu sonho realizado. Cabem bem estes versos de Raul Seixas que parafraseou John Lennon, assim: "Sonho que se sonha só/É sonho./Mas sonho que se sonha juntos/É realidade".
     Relata ainda, a coautora, que a primeira ideia para a concepção do livro nasceu em 2005. Hoje, 12 anos depois, aqui está "Horizontes Cruzados", composto de 14 contos, 40 poemas e 22 crônicas, sendo quase 60 autores (alguns apresentam dois, ou mais trabalhos). Sendo todos interessantíssimos. "Fruto de muito trabalho e dedicação", como foi dito, quando do lançamento. "Nossos horizontes se cruzaram, fizemos amor com as palavras e nasceu esta obra", enfatiza. 
     Por falar em "palavras", são oportunos estes versos drummondianos:

                                          Lutar com palavras
                                          é a luta mais vã.
                                          Entretanto lutamos
                                          mal rompe a manhã.

     "Lutam com as palavras os escritores, os Drummonds, aceitando-lhes as definições ou, no seu direito de artistas, modificando-lhes o sentido, ou criando novos, ou novas palavras; e lutam, igualmente, os dicionaristas, redefinindo-as, acrescentando-lhes significados, ou introduzindo-as no léxico, após enfrentar a tarefa, tantas vezes penosa, de captar-lhes a essência, desentranhar-lhes o sentido, infundir alma num corpo. Uns e outros se empenham na luta - e sempre com a esperança de que não seja vã". 2
     Agora, foi o volume I da série HORIZONTES CRUZADOS. Depois, o II, o III, e assim sucessivamente. A Luta não será em vão. Deixo de citar esse ou aquele participante da obra em análise para não ser injusto, uma vez que não poderia mencioná-los todos. Fica, portanto, a critério de cada leitor, identificar as maravilhas que as identifiquei no bojo do livro.
     Voltando ao prefácio, a organizadora o finaliza citando o saudoso escritor Rubem Alves, o qual disse que:

      "Professores são como alpinistas e os alunos são como águias. 
        Alpinistas não sabem voar, mas gostam de subir montanhas para
        apreciar o voo das águias, imaginando-se como uma delas." 

     Na Bíblia está escrito que a fé sem as obras é morta. Eis aqui a obra. Resultado indiscutível, de alguém que sonhou, acreditou, coordenou, organizou, compilou e publicou tudo, com muita fé e perspicácia. 
     Por último, a esperança. Esperança de quem lida com palavras, com letras, sem aquela coisa da busca pela glória, pelo reconhecimento comercial apenas, mas para aproximar o saber do aprender; para o aluno - nós adultos, também -, amadurecer bem na vida e com conhecimento de causa. Por isso, Alzanira conclama:

     "Que todos que lerem esta antologia, possam, como esta alpinista aqui, sentar-se no alto da montanha e admirar também o belo voo literário de nossas águias."

      E assim, com palavras repletas de sinceridade, a tão autora, quanto os autores, dedica Horizontes Cruzados: 1. "Aos pais de nossos alunos, por nos terem confiado a educação de seus filhos"; 2. "A todos os estudantes brasileiros que buscam escapar das "gaiolas" do mundo"; 3. "A todos os professores de Língua Portuguesa que plantam palavras e colhem poesia"; e 4. "À professora Maria Ludovina de Souza Nobile, pelo incentivo à arte quando professora nesta instituição".

     Não posso deixar de lembrar da professora Inalda Lima, que dedica aos autores da obra ora comentada, um belo poema, Aves Migratórias, do qual extraí estes versos:
     
                                 Chegam em bando
                                 Olhos no horizonte
                                 Apenas de passagem
                                          (...)
                                 E alçam voo...
                                 Asas prontas rumo ao futuro.
                                 Em nossos corações,
                                 Amores para um novo bando.

      Lembrete valioso: no dia 17 deste mês de outubro de 2017, a turma de Direto de 1997, da UFAM, estará completando 20 anos de formada. Desejo a todos, entre eles estou incluído, muita vida, muito profissionalismo e muita honestidade. E aos familiares dos colegas que se foram, ao longo dessas duas décadas, muitas bênçãos divinas.



Texto: Francisco Gomes


       Referências
    1. Horizontes cruzados: antologia literária dos alunos do IFAM/ Alzanira de Souza Santos (organizadora). - Curitiba: Moura S.A. 2017.
       2.  Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa, primeira ed.14 impressão. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1975.
 
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