Poesia em fotografia: as fantásticas aventuras de Sebastião Salgado

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Sebastião e Lélia (Fonte: 50emais.com.br)

Sabe aquelas fotografias que você se arrepia? Que você sente a emoção por trás daquela imagem? Pois é, as obras do fotógrafo Sebastião Salgado atingem esse patamar. São verdadeiras poesias imagéticas.
Quem é Sebastião Salgado? É um famoso fotógrafo brasileiro, conhecido e premiado internacional com suas obras que retratam a realidade social. O artista nasceu em Aimorés, cidade do interior de Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944. Aos 15 anos, foi cursar o ensino médio em Vitória-Espírito Santo. Estudou Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo, e fez mestrado em Economia na USP.
Em 1969 imigrou para Paris, com sua esposa Lélia Wanick, onde continuou os estudos em economia, e Lélia começou a estudar arquitetura. Sebastião e Lélia se mudaram para Londres, pois tinha sido contratado para trabalhar na Organização Internacional do Café. Quando atuou como supervisor de projetos na África, levava a câmera de Lélia e tirava muitas fotos. Foi nessa experiência que descobriu sua paixão pela fotografia.
O casal decidiu voltar para Paris e investir na carreira de fotografia. Sebastião transitou por vários espaços da fotografia: esporte, retratos, casamentos e nus. Mas, foi no fotojornalismo que se identificou. Sua primeira grande obra, conhecida como “Outras Américas” (1997-1984). Esse trabalho é fruto de uma expedição pelos países da América Latina.
Após 10 anos e meio fora do Brasil, o casal retornou para Vitória. Mas, o próximo projeto levaria Sebastião para região africana do Sahel, obra intitulada como “Sahel: o homem em Agonia” (1984-1986), em que registou sobre a fome no país. Segundo Sebatião, a obra tinha como proposta “mostrar que uma grande parte da humanidade estava sofrendo de uma aflição imensa, devido mais a um problema de partilha do que simplesmente a desastres naturais”. (1)
O terceiro projeto levou seis anos e viagens em quase 30 países, o qual deu origem a obra “Trabalhadores” (1986-1991). “Eu queria fazer uma espécie de homenagem a todos os homens e mulheres que construíram o nosso mundo. A arqueologia da era industrial”. (1)
Após esse projeto, o contexto social internacional sobre o deslocamento de populações por conta das guerras ou fome, e o fechamento das fronteiras na Europa, chamaram a atenção de Sebastião e Lélia. Assim, um novo projeto foi lançado, “Êxodos” (1993-1999). O trabalho teve como proposta debater a realidade dos refugiados na Índia, Vietnã, Filipinas, América do Sul, Palestina, Iraque, entre outros lugares. Esse trabalho mexeu profundamente com Sebastião, segundo o mesmo, “Eu saí de lá sem acreditar na salvação da humanidade. (...) Quantas vezes pus as câmeras ao chão para chorar com o que eu via!”. (1)
Após esse projeto, Sebastião voltou para sua cidade natal, Aimorés. Ao retornar para a fazenda dos pais, ele se deparou com a falta de flora e fauna que lembrava em sua infância. Movido pela vontade de revitalizar a área, criou o Instituto Terra (http://www.institutoterra.org). Após um período longo dedicando-se ao projeto e longe das expedições fotográficas, Sebastião decidiu fazer um novo projeto relacionado ao meio ambiente, a ideia foi “uma homenagem ao planeta”(1), intitulado “Gênesis” (2004-2013).

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Fonte: recicloteca.org.br
Em 2014, o documentário O Sal da Terra, indicado ao Oscar de melhor documentário, acompanha o fotógrafo em sua expedição nesse projeto. Além de retratar a biografia e carreira profissional de Sebastião. O filme é espetacular, é de tirar o fôlego com as fotografias e os relatos de Sebastião sobre cada projeto desenvolvido.
Assisti ao documentário em 2015, por sugestão de uma professora para realizar uma análise e debate da realidade social. Eu já conhecia algumas fotografias de Sebastião Salgado, mas depois desse filme, fiquei encantada por sua obra. Vale muito a pena assistir, é um filme que irá fazer você refletir sobre sua vida, sobre a humanidade e sobre a beleza da fotografia. Quem tiver interesse, o documentário está disponível na Netflix.



Texto: Winnie Gomes


Referência

                (1)  O Sal da Terra, documentário (2015)
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