Eu vou torcer... com Jorge Ben




Senhor absoluto do ritmo, o ritmo também o possui integralmente: a ele o cantor se curva e se amolda, tornando supérfluo todo o resto. O resultado é uma música que se comunica em primeiro lugar com o corpo tocando a mente, na maioria das vezes, de forma apenas casual.
        A intuição é a marca maior do seu trabalho, ou seja, é a sua alavanca, sua singularidade. Ele decide a rota, ela assume o leme. Sua música “não tem entrelinhas. É só aquilo que está lá. Trata-se de um primitivo urbano”.
           Seu ofício dispensa investigações, como as suas letras não precisam ser entendidas por meio de teorias rebuscadas. Sua espontaneidade é imaculada. É exatamente isso que agiganta seus versos, suas notas, seu swing, seu carisma.
          “Assim vai ele em direção ao mais simples, falando das coisas em que tropeça na sua rotina. ‘Meu leme é fé em Deus e pé na tábua, resume em 'Eu Sou da Pesada’, de 1967”.
           “Sem segunda intenção ou mistério, a música (que vem dele) sempre se alimentou, basicamente, da simplicidade e da intuição. Com esses poucos ingredientes, ele vem conseguindo produzir uma obra rica e personalíssima, que, sem nunca se ter comprometido com o modismo ou movimentos, consegue manter-se no agrado do público e no bom conceito de grande parte da crítica especializada”.
            A avaliação acima vem do jornalista, escritor e crítico musical, Maurício Kubrusky sobre Jorge Bem. Garante, ainda, que Jorge tem uma carreira brilhante e ininterrupta: foi bem recebido pela Jovem Guarda, pelo Tropicalismo, chegando aos dias atuais com uma discografia repleta de sucessos; vários intérpretes de peso; e legiões de fãs dentro e fora do Brasil.
            Seu nome de batismo: Jorge Duílio Lima Menezes. Seu nome artístico, Jorge Ben. O sobrenome Ben vem de Sílvia Saint Ben Lima, sua mãe, africana originária da Etiópia. Carioca do subúrbio de Madureira, onde nasceu em 1944. A partir de meados dos anos 80, adotou o nome artístico de Jorge Bem Jor.
            A leitura de sua biografia é prazerosa, principalmente, quando, no contexto, está esta citação: “Em todas as fases da vida de Jorge Ben evidencia-se uma espécie de tranquila satisfação interior. Esse traço parece independer por completo de fatores como fama ou progresso material. E alia-se a uma irresistível simpatia pessoal que atrai para sua amizade pessoas de temperamento e atividades os mais diversos possíveis. A todos Jorge trata com afeto, guardando lealdade incondicional aos que ele mais estima e considera”.
           Corroborando com o mesmo ponto de vista, o jornalista e crítico de música, Matinas Suzuki Jr. diz:

            “Um canto livre

            Que nunca fugiu

            À sua negritude”.

E, prosseguindo com seu raciocínio, completa: “A pulsação rítmica das músicas de Jorge Ben é, em parte, selvagem e inconsciente. Mas está também indiscutivelmente ligada a uma determinação de usar o caminho musical para demonstrar amor e orgulho pelos antepassados africanos, sua cultura e suas tradições”.
            Em 2004, a cantora Fernanda Abreu lançou o álbum “Na Paz”. Entre as canções do disco está a versão cover de Eu Vou Torcer, composição de Jorge Ben, e por ele lançada no LP “A Tábua de Esmeralda”, de 1974.
            Esta composição é o tema do presente do artigo, ora apresentada, tanto no vídeo do próprio criador, como na versão, para os fãs dos dois artistas.


Versão original com Jorge Ben Jor



 Versão cover com Fernanda Abreu
 
            Assim, o Facetas encerra as suas atividades em 2017 - prometendo muito mais para 2018 -, torcendo pela paz, pelo amor, pela beleza de viver, pela saúde, pela alegria, pela compreensão, pelo sucesso, enfim, pela vida longa de cada pessoa. Principalmente dos nosso leitores.
            

           Feliz 2018!
            São os votos de Winnie e Francisco


Fontes

1. Jorge Bem, Co. História da MPB, Abril Cultura, SP, 1982 
2. www.fitabruta.com.br
3. Vídeo - Eu vou torcer by Jorge Ben 
4. Vídeo - Fernanda Abreu - Eu vou torcer 

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