"Um país se faz com homens e livros"

    
Imagem: Mystics Art Design
        A frase-título é de autoria do escritor paulista, Monteiro Lobato (1882-1948). O termo livro é o elemento central deste comentário. Um pouquinho daqui, um pedacinho dali. A ideia de um, uma citação de outro, torna esta leitura agradável e prazerosa. E com curiosidades, é claro. 
     O padre Antônio Vieira (1608-1697), nasceu em Lisboa, Portugal, e veio para o Brasil com os pais quando ainda era crianças, aos 6 anos de idade, os quais fixaram residência em Salvador, Bahia. Para mim, foi o maior orador sacro da Igreja Católica. Sua obra Os sermões, é de uma beleza singular e inconfundível seu estilo. Veemente nas palavras, mas elegante como doutrinador. São deles, por exemplo, estes versos:

                                          O livro é um mudo que fala,
                                                Um surdo que responde, 
                                                          Um cego que guia,
                                                     Um defunto que vive.

     O vocábulo livro, vem do latim libru. E todos nós sabemos: trata-se da reunião de folhas presas por um dos lados, contendo capa flexível ou rígida. Há quem garanta que um livro, propriamente dito, é aquele, cuja publicação não é periódica sua impressão, com, no mínimo, 49 páginas, excluídas as capas. 
     O nosso idioma destaca quase 3 dezenas do significado de livro, inclusive em sentido figurativo. Por assim dizer, aquilo que instrui como um livro: o livro da Natureza. Alguns tipos de livros mais comuns são: livro comercial, de arte, de bolso, de cabeceira, de ponto, didático, jurídico, canônico, de ciências naturais, encadernado, fiscal, de bordo, e principalmente de prosa e verso, entre outros. 
     O genial Millôr Fernandes (1923-2012), ao falar sobre o tema acima, em 2006, escreveu um artigo bem humorado: L. I. V. R. O. São dele, portanto, algumas citações aqui selecionadas.
     Segundo ele, livro é o local de informações variadas, reutilizáveis e ordenadas. "Existe entre nós, muito utilizado, mas que vem perdendo prestígio por falta de propaganda dirigida, e comentários cultos, embora seja superior a qualquer outro meio de divulgação e divertimento, um revolucionário conceito de tecnologia de informação" (1).
     O livro no seu formato atual, tem mais de 500 anos que é usado. Sempre representou e representa um gigantesco avanço gráfico. Não tem fios, mas tem sequência de folhas. Não tem chip, circuitos elétricos, nem pilhas, mas tem papel, tem páginas, capítulos. "Não necessita ser ser conectado a nada, ligado a coisa alguma. É tão fácil de usar que qualquer criança - principalmente ela - pode operá-lo. Basta abri-lo" (1).
     O livro pode armazenar milhares, e até milhões de informações, graças à LOMBADA. É ela que mantém as páginas permanentemente em sequência correta. Tem mais: por meio do TPO (Tecnologia do Papel Opaco), as editoras podem usar as duas faces da página. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os custos com material e despesas. Assim, a obra poderá ser mais completa, ter mais conteúdo e menos folhas. 
     "Cada página do LIVRO deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, no próprio cérebro, sem qualquer formação especial. Lembramos apenas que quanto maior e mais complexa a informação a ser absorvida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário" (1).
     A máxima acima é o máximo! Assim como o é a seguinte, quando o mestre em questão, faz uma comparação entre o computador e o livro: O primeiro tem uma "vantagem imbatível é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite acesso instantâneo à próxima página". Quanto ao segundo, para que sua leitura possa "ser formatada a qualquer momento, basta abri-lo".  Isso evita "ERRO FATAL DE SENHA", nem ser "REINICIADO". Mas, como tudo no mundo tem um probleminha: o livro pode ficar "estragado ou até mesmo inutilizado quando atingido por líquido. Caso cai no mar. Acontecimento raríssimo, que só acontece em caso de naufrágio" (1).
     É isso mesmo. E por falar em naufrágio, li em algum lugar, há muitos anos, que Camões teria ficado 2 ou 3 dias a deriva no mar, lá pela costa da África. Quando foi resgatado, trazia numa das mãos, um manuscrito. Se os dois não tivessem sidos salvos, hoje não teríamos a maior obra-prima da literatura portuguesa: Os Lusíadas (lançado em 1572. Trata-se de um poema épico que narra as aventuras do povo português. O livro contém 1.102 estrofes e 8.816 versos).
     Como conciliar, então, o novo e o velho, ou seja, o livro e o computador? Utilizando os dois, diz o sábio Millôr. No computador, o ÍNDICE REMISSIVO. "permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder na busca com muita facilidade, principalmente se o aparelho já tem softer". Enquanto que para o livro, se utiliza de todas tecnologia adicional, convencional. Os séculos comprovaram isso. 
     O escritor segue ilustrando vantagens e desvantagens "entre esses dois pedaços do nosso cérebro".
O livro, tem uma característica de suprema importância: Não enguiça! Já os marcadores de páginas se assemelham na utilidade. Na capacidade, não. Apesar do livro suportar o uso simultâneo de vários deles. Porém, essa prática fica a critério do usuário. Para anotações em suas margens, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - LÁPIS.
     "Livro: elegante, durável e barato, vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultural do futuro, como já foi de todo o passado ocidental.  São milhões de títulos e formas que anualmente programadores (editores) põem à disposição do público utilizando essa plataforma" (1).
     Só para se ter uma ideia, a Biblioteca Central Norte-americana, tem mais de 1,4 bilhão de exemplares. Até quando o livro resistirá a atual revolução tecnológica informacional virtual? Há quem garanta que até a década de 2080. Quem viver verá! 
     Ainda sobre o tema ora abordado, em 1997, o cantor Caetano Veloso lançou um CD como título "Livro", com 14 faixas. Algumas delas como: Um Tom, Os Passistas, O Navio Negreiro (excerto do poema) de Castro Alves, Não Enche, Na Baixada do Sapateiro, Livros, etc.
     Esse trabalho foi muito prestigiado nos EUA. Inclusive premiado com o Gremmy Latino de melhor álbum de música pop brasileira. Vamos, portanto, à leitura, na íntegra deste belo poema:

                                      LIVROS

     Tropeçava nos astros desastrada/Quando não tínhamos livros em casa/E a cidade não tinha livraria/Mas os livros que em nossa vida entraram/São como a radiação de um corpo negro/Apontando pra a expansão do Universo/Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso/(E, sem dúvida, sobretudo o verso)/É o que pode lançar mundos no mundo.
     Tropeçavas nos astros desastrada/Sem saber que a ventura e a desventura/Dessa estrada que vai do nada ao nada/São livros e o luar contra a cultura.
     Os livros são objetos transcendentais/Mas podemos amá-los do amor táctil/Que votamos aos maços de cigarros/Domá-los, cultivá-los em aquários,/Em estantes, gaiolas, em fogueiras/Ou lançá-los pra fora das janelas/(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)/Ou o que é muito pior odiarmo-los/Podemos simplesmente escrever um:
     Encher de vãs palavras muitas páginas/E de mais confusão as prateleiras./Tropeçavas nos astros desastrada/Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas. 

     Por favor, amigos leitores, façam o livro penetrar na vida da nação brasileira. Só assim, construiremos um país desenvolvido em todos os sentidos. Se a grande maioria dos homens públicos por aqui fracassaram na condução da res publica, é porque a nossa sociedade fracassou em tempos idos, desde o seu início embrionário.
      Temos livros, temos autores fantásticos, temos pensamentos construtivos. Não deixemos, portanto, que esses "bichos medonhos" "cresçam e desapareçam" (Zé Ramalho). É mais fácil não deixa-los nascer a extirpa-los depois. Estou falando daqueles que insistem em nos enganar, furtar, roubar, matar o povo. A cultura pode mais. A educação pode mais. O livro pode tudo.
     Façamos do livro a nossa "estrela entre as estrelas".

     Saiba Mais: Comemora-se o dia do livro em 23 de abril. Por quê? Porque essa data surgiu em homenagem ao nascimento de William Shakespeare(1563-1616), no dia 23 de abril de 1563. Ele é considerado o maior poeta e dramaturgo da língua inglesa.

      Pesquisa e texto: Francisco Gomes

     Fontes
     1. L.I.V.R.O, Millôr Fernandes, Veja, 06.12.2006, p. 36.
     2. Novo Dicionário Aurélio, 4. ed. 2009, p. 1222
     3. CD "Livro", Caetano Veloso, Gravadora Mercury Records, 1997.  
    


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