Elvis, para sempre Presley

    
Elvis Presley. Fonte: Pixabay

    Anos 50. Sam Phillips, produtor musical de Rhythm and blues, era uma espécie de caçador de talentos, e estava à procura de um cantor branco que cantasse como um negro. Encontrou o jovem Elvis, de 19 anos - que queria mesmo era ser descoberto -, o qual era chofer de caminhão de uma companhia de eletricidade, sendo contratado em 1954. No ano seguinte já estava na gravadora RCA Victor, por intermédio do coronel Tom Parker. 
     Elvis Aaron Presley, filho de Vernon Presley e Gladys Presley, nasceu em 8 de janeiro de 1935, em East Tupelo, Mississippi (EUA), mas seu irmão gêmeo Jesse Garon Presley, não sobreviveu. Passou a infância em Memphis, Tennessee, o reduto do country  e western, onde o garoto cantava hinos no coral da igreja protestante e recebeu a influência do blues. Isso evidenciava seus dotes de cantor. Ao completar 8 anos, ganhou sua primeira guitarra. Presente da mãe. Na adolescência, formando um trio com seus pais, que cantava em festas e convenções religiosas. 
     "Quando Elvis Presley surgiu, em 1954, o rock and roll - a dança e a palavra - não eram novidade nos EE.UU. Juntas ou separadas, elas sempre foram usadas nos blues dos negros dos campos de algodão" (1), desde 1940. Em 1953, por exemplo, pela primeira vez, o rock frequentava a parada de sucessos americanos com Grazzy, Man Grazy, por Bill Haley e Seus Cometas. 
     De repente, porém, tudo mudou ainda mais. Foi quando em 1956 Elvis apresentou-se no programa de televisão dos irmãos Dorsey e seu LP Heartbreak Hotel alcançou num só ano a marca de 9 milhões de cópias vendidas. Tornando-se o campeão de vendagem de discos e shows e de bilheteria pelos filmes que atuava. 
     Elvis era o rei do Rock'n'roll. Modelo do "sonho americano". Fascinou plateias, inspirou imitadores (todos os cantores que vieram após ele, desde os Beatles, a Bob Dylan e Paul Simon) e influenciou os costumes da América e do mundo. Seus 45 discos tiveram mais de 500 milhões  de cópias vendidas. Atualmente já se fala em 1 bilhão de exemplares, além dos 33 filmes dos quais participou, o primeiro deles, Love Me Tender. 
     "Com seu carisma e sensualidade, o cantor provocava reações histéricas nas plateias adolescentes. O sinuoso movimento que executava com os quadris ao dançar (atacando diretamente o puritanismo), valeu-lhe o apelido de "Elvis the pelvis" (3).
     Entre 1958 e 1960 fez o serviço militar. Isso rendeu-lhe por toda vida um significado de patriotismo de grande valia. Retornando à carreira artística em 1961. Em 1967, se casou com a bela Priscilla Presley, com quem teve a única filha, Lisa Marie Presley, hoje com 49 anos de idade. 
     Em setembro de 1981, 4 anos após sua morte, a revista Manchete, publicou uma reportagem - "Assim era Elvis" -, assinada por Roberto Muggiati. De início, ele escreve:
     "Foram 42 anos, queimados numa vida intensa, da terra úmida do Mississippi aos palcos iluminados da glória, dos gestos rebeldes em blusão de couro aos tapetes vermelhos da fama. E, em meio a momentos de euforia e de solidão, a busca obsessiva do ouro - roupas, Cadillacs, disco de ouro, e mais dinheiro do que um homem pode gastar em toda uma existência. Assim foi a vida de Elvis Presley, um mito para o mundo. Na verdade, apenas um músico" (5). 
     Por ser o rei da canção nos EUA, Elvis perdeu vida própria e passa a ser manipulado para fins comerciais e até para efeitos propagandísticos governamentais. Ele procurava sempre manter uma boa imagem junto a todas as camadas da opinião pública. E conseguiu, mais isso lhe custou um preço terrivelmente caro, talvez a própria vida. 
     "Adulado pelos americanos médios como representante de algumas das melhores virtudes do país, respeitado pelos jovens que viam nele o grande pioneiro da nova música e até da própria contracultura dos hippies, o Elvis dos anos 60 e 70 se tornou, mais do que tudo, uma máquina de fazer milhões. Não podendo parar nunca, foi atropelado pelo sucesso. As centenas de discos, as dezenas de filmes, os shows de televisão, os concertos apoteóticos e as longas excursões - embora nunca tenha feito uma turnê fora do seu país - ofereciam-lhe como subprodutos a tensão quase insuportável dos camarins, o castigo das viagens intermináveis, o esforço físico e criativo das gravações, das filmagens, dos ensaios, e a solidão profunda das noites em suítes de hotéis, por luxuosas que fossem.
     Em meio a tudo isso, Elvis tentou conservar para si o sonho de que ainda era um inocente menino do Tennessee. Ao contrário da maioria dos artistas de sucesso, que escolhe se fixar em Los Angeles, Nova Iorque, Londres, Paris ou Monte Carlo, ele preferiu a provinciana Memphis. Lá, instalou-se no seu Xanadu, a mansão Graceland comprada em 1957 por US$ 100.000".
     A jornalista Sílvia E. de Oliveira, escreveu para a revista Jovem Cristão, em 1978, interessante reportagem sob o título : "O rei do Rock morreu triste (a tristeza do rei)". Uma análise da religião na vida das pessoas, sejam elas famosas ou não. No caso de Elvis, que preferiu abandonar os dogmas cristãos, segundo a autora, para perder-se na vida pelas caminhos das drogas, da fama, do sucesso, e acima de tudo, da fadiga espiritual, ou seja, sem professar uma crença religiosa.  
     A certa altura, a jornalista escreve:
     "Elvis Presley, depois de um reinado de glória, entrou num profundo estado de tristeza, depressão e solidão. Como explicar tal atitude? O fato é que Presley já não se satisfazia com tudo o que possuía. Faltava-lhe alguma coisa que o impedia de ser feliz. Ele teve, talvez, essa condição de vida, porém, iludido pela fama e pelo dinheiro, abandonou os caminhos de Deus para seguir o caminho do pecado" (4).
     A marca "Elvis Presley" continua viva e alimentando uma indústria fonográfica e cinematográfica poderosíssima mundo afora, apesar da plena era digital. Só para exemplificar, quando da notícia de sua morte, "8 milhões de cópias de seus discos esgotaram-se em apenas cinco dias" (3). Em torno dessa marca, surge outro fenômeno após 1977: Milhões de fãs, turistas, peregrinos e curiosos rumaram para Graceland, em Memphis nas últimas 4 décadas.  
     Em 1989, isto é, 12 anos após a morte do artista em questão, a gravadora RCA lançou no Brasil, uma caixa (estojo, como era chamado) contendo 5 LPs, num total de 74 canções. Os discos estão assim catalogados: l. Os anos 50; 2. Os anos 60; 3. Os anos 70; 4. Inéditas no Brasil; e 5. Grandes sucessos no Brasil. Neles podem ser encontradas músicas como: Love me, Stuck on you, The impossible dream, A mess of blues e Love me tender, respectivamente. 
     A caixa traz ainda um encarte e nele um pequeno histórico de cada uma das músicas dos 5 discos. Consta ainda: 1. Seleção de repertório: Marcelo Eduardo Lemos Costa; 2. capa: estúdio gráfico Arco-íris, e 3. fotos: arquivos RCA. Trata-se de um trabalho primoroso. Obra-prima para colecionador.
     Mas, como tudo na vida é dinâmico. "Tudo passa/Tudo passará, para citar Nelson Ned, como o homem Elvis Aaron Presley, o tempo não foi diferente. "A partir do início da década de 70, entrou em franca decadência artística e profissional" (3).  "Sua última apresentação foi na Flórida. Morreu sob o efeito de quase 10 tipos de drogas. Mas tarde seu médico foi acusado de receitá-las indiscriminadamente" (2).
     "O Dr. George Nichopoulos - que devia a Elvis mais de US$ 300,000, em empréstimos - receitou para o cantor 5.684 pílulas de narcóticos e anfetaminas, nos seus últimos sete meses de vida - uma média de 25 por dia" (5).
     O resultado foi danoso para o cantor, como segue o relato abaixo:
     "Elvis entrou no banheiro com um livro, o dedo entre as páginas marcando uma passagem. Deve ter se olhado no espelho (obeso, cansado e soando muito). Pijama azul. Rosto e olhos inchados. Uma cor péssima. Ninguém sabe, mas provavelmente se serviu de sua farmácia, pois, como a autópsia mostraria depois, ele tinha bem umas dez drogas (4 delas em quantidade significativa: codeína, morfina, clorofeniramina e anti-histamina) circulado pelo corpo, assumindo o controle de seu cérebro, de seu coração.
     Elvis sentou-se olhando para o livro aberto em seu colo, seus olhos vidrado, o corpo imóvel. Então o queixo caiu até o peito, o corpo volumoso oscilou imperceptivelmente, em seguida pendeu e caiu da grande cadeira alcochoada, o ruído da queda abafado pelas grossas felpas do tapete marrom.
     A sala estava em silêncio, quebrado apenas pelo som do seu último sopro de vida".
     O mundo toma um susto. Os EUA soluçam. As redes de televisão interrompem sua programação para veicular a triste notícia. "Assim teria morrido o rei do Rock' n' Roll, no começo da tarde (12h20min) de 16 de agosto de 1977 na sua mansão milionária de Memphis. Ninguém viu, mas não deve estar muito longe da realidade esta descrição do seu fim por Jerry Hopkins, no livro Elvis: The Final Yeard" (5).
     Em ELVIS de A a Z - "Tudo o que os fãs sempre quiseram saber sobre o Rei do Rock' n' Roll" -, destaco: 1. DISTINTIVO - era um dos seus hobbies colecionar distintivos e insígnias; 2. JASMIM - a flor favorita. Sua essência é uma das mais valiosas do mundo; 3. KARATÊ - praticou por mais de 18 anos. Era faixa preta de 8º grau; 4. MEDALHAS - no exército, ganhou duas por perícia em tiro ao alvo: uma para rifle e pistola, outra para pontaria a distância com carabina: 5. QUADRADISCO- disco estereofônico em 4 canais. Foi o primeiro artista na história da música a receber um Disco de Ouro nessa modalidade com: Elvis: Aloha From Hawaii Via Satellite, em 1973; 6. TURNÊ - nunca fez uma fora do seu país, assim como fizeram Michael Jackson, Madonna, etc;  7. TABELA 2001 - uma estranha profecia ligada a Elvis, que usava como prefixo de suas apresentações o mesmo tema empregado por Stanley Kubrick na trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço: o Also Sprach Zarathustra, de Richard Strausso. Os números fatídicos são:

                        . Mês da morte de Elvis ...................................       8
                        . Dia da morte de Elvis ....................................     16
                        . Ano da morte de Elvis ..................................  1977
                        . Soma .............................................................  2001

                        . Dia do nascimento de Elvis ..........................        8
                        . Dia da morte de Elvis ...................................      16
                        . Idade com que Elvis morreu .........................      42
                        . Ano em que Elvis nasceu ..............................  1935
                        . Soma ..............................................................  2001.

     8. YESTERDAY - canção composta apenas por Paul McCartney gravada pelos Beatles em 1965. É considerada a mais gravada de todos os tempos (1.865 versões até 1972) e  teve uma versão por Elvis em 1969.
     Admiráveis leitores, na próxima semana, mas precisamente no dia 16 de agosto, serão lembrados os 41 anos da partida física de Elvis. se vivo estivesse estava com 83 anos de idade. Porém, sua música há de perdurar por muito tempo. Selecionei dois vídeos do Elvis cantando, primeiro com a música Always on my mind; o segundo, um show completo de Elvis de 1973:


                                                         Elvis cantando Always on my mind


                                                                     Show 1973


     Se pudéssemos ir até o cemitério de Memphis, onde descansam os restos mortais de Presley, deixaríamos a seguinte mensagem: "ELVIS: LABORUM META".

     Nota -  O título do presente artigo tem por base o poema de Drummond, " Leila, para sempre Diniz". Não só por copiá-lo, mas pela beleza da longevidade das palavras.

     Pesquisa, texto e arte: Francisco e Winnie Gomes

     Fontes
     1. |Revista Veja, edição de 24 de agosto de 1977
     2. DBU - Dic. Biográfico Universal Três, vol. 4, editora 3, SP, 1983, pp. 109/110
     3. Nova Enc. BARSA, vol. 12, RJ/SP, 1999, p. 31
     4. Revista Jovem Cristão, ano 1, n. Zero, CPAD, RJ, out/dez/1978, pp. 38/40.
     5. Revista Manchete, n. 1533, de 5 de outubro de 1981, ano 30, pp. 68/72.
     6. Imagem de Elvis Presley por Kaz
     7. Vídeo Elvis Presley - Always on my mind, Youtube, Canal Músicas que a gente ama
     8. Vídeo Elvis Presley Concert 1973, Youtube, Canal ConcertTube
   
    
Tecnologia do Blogger.