O amor dos Fitzgerald

Estou lendo o livro, Querido Scott, Querida Zelda: as cartas de amor de Scott e Zelda Fitzgerald, publicado pela Companhia das Letras, e sob organização de Jackson R. Byres e Chaty W. Barks. A introdução do livro é escrito pela neta do casal, Eleanor Lanaham. Tenho achado interessante a história do casal, inclusive é um verdadeiro romance, seria um excelente filme. Então, resolvi escrever um pouco sobre o casal, a partir da fonte desse livro. 

Vocês já ouviram falar do filme, O Grande Gatsby, com Leonardo DiCaprio? Então, esse filme é baseado no romance (com o mesmo título) de F. Scott Fitzgerald. É um das obras mais importantes da literatura dos Estados Unidos.

F. Scott Fitzgerald conheceu Zelda, em julho de 1918, em sua cidade natal Montgomery, no Alabama, Estados Unidos, durante um baile num clube de campo. Na época, Scott era tenente, tinha 22 anos e tinha estudado em Princenton. Zelda, com 18 anos, era recém-formada no colegial e uma moça popular em sua cidade. Depois desse encontro, os dois manteram contato.


Resultado de imagem para scott fitzgerald zelda
Elza e Scott. Fonte: The Vintage News

Com o final da primeira guerra, Scott foi para Nova York, em fevereiro de 1919, para procurar trabalho e se tornar um famoso escritor. No mês seguinte, Scott envia para Zelda um anel de noivado, que foi aceito pela mesma. Contudo, em junho do mesmo ano, a relação dos dois passou por um abalo. Scott recebeu um bilhete de Zelda que tinha sido escrito para outro pretendente. Scott escreveu e pediu que ela não mais escrevesse para ele, mas assim que ele recebeu um bilhete de Zelda explicando a situação, foi até a cidade dela e implorou que se casasse com ela. Zelda chorou e recusou o pedido de casamento.

Depois desse fato, Scott retornou para Nova York e ficou um tempo sem trocar cartas com Zelda. Mas, quando seu primeiro romance, Este lado do Paraíso, foi aceito por uma editora para ser publicado, imediatamente Scott escreveu para Zelda. Em pouco tempo reataram o noivado e no ano seguinte, em 1920, estavam casados.

A obra de Scott foi um sucesso, e o casal passou a ser visto como celebridade. Esse período o casal morou em vários hotéis, e foi expulso por um, por pertubar o sossego dos outros hóspedes. Nesse período, o casal começou a brigar depois de alguma bebedeira. Mas, mesmo assim, tiveram uma filha, que nasceu em outubro de 1921, Frances Scott Fitzgerald. 

Em 1922, Scott lança seu segundo livro, Belos e Malditos. O livro recebu críticas por parte da impresa, mas vendeu bem, e Zelda começou a escrever pequenos artigos de veia cômica em jornais e revistas. Em 1923, foi publicado uma peça de Scott, e tentou algum produtor da Broadway interessado numa peça sua. Sam H. Harris aceitou a proposta, mas durante os testes, a peça foi um fracasso. Scott estava individado, após o fracasso da peça, e decidiu com Zelda, se mudar para Paris, pois viam a possibilidade de viver financeiramente mais estável.

Em Paris, o casal era engajado no círculo de artistas franceses, foi nesse período que Zelda começou a se dedicar as aulas de balé, e Scott finaliza sua obra prima, O Grande Gatsby, em outrubro de 1924, e foi publicado em abril de 1925. A obra foi um sucesso. Nesse período, o casal tinha algumas brigas, geralmente após alguma festa, e Scott tinha um quadro de alcoolismo. O casal vivia em bares e cabarés de Paris. 

Em dezembro de 1926 o casal retorna para os Estados Unidos. No ano seguinte,  em 1927, Scott se dedica na venda de seus contos para manter sua família, e Zelda, também, começa a escrever e a competir com o marido. Esse contexto colocou mais tensão no casamento que já estava abalado com a baixa produtividade de Scott na escrita de um romance que vinha escrevendo há dois anos (Suave é a Noite).

Em 1928, durante uma passagem de verão em Paris, Zelda se dedica ao balé, e Scott sentia-se frustrado com seu romance que não prosseguia, se afundou ainda mais no alcoolismo e foi preso, duas vezes, por embriaguez. Em 1929 o casal retorna para Paris, Zelda focada no seu balé, mas continuava escrevendo, cinco dos seus contos foram publicados, todos como se fossem autoria do casal, colocando Zelda em competição com o marido, que continuava na batalha para finalizar seu romance.

Durante o verão em Riviera (França), de 1929, Zelda consegue dançar profissionalmente em Nice e em Cannes. Na viagem de volta para Paris, Zelda se agarrou na direção do carro e tentou levar o carro para um penhasco. A saúde mental de Zelda estava abalada e começou a apresentar a sua fragilidade durante o outono e início de 1929-30. Nessa época, a vida do casal estava prestes a desmoronar. Zelda precisou ser internada, em abril de 1930, para cuidar de sua saúde. Menos de 1 mês na clínica, Zelda decidiu retornar para casa por conta própria, mas teve alucinações e tentou suícidio, e foi internada em junho do mesmo ano, na Suíça. Ela tinha 30 anos de idade. Depois desse episódio, Scott, com 34 anos de idade, se afunda ainda mais no alcoolismo.

No período em que Zelda esteve internada (junho de 1930 a agosto de 1931), trocou cartas com Scott. Suas cartas eram uma mistura de afeição e desprezo pelo marido. Zelda recebeu alta e o casal foi morar na cidade natal dela, mas Scott recebeu uma proposta de emprego para trabalhar durante 6 semanas em Hollywood, para a MGM. Na ausência de Scott, Zelda aproveitou a companhia da filha, dava aulas de balé e escrevia alguns contos.

Scott, no período que ficou trabalhando em Hollywood, voltou a beber. Ele não se sentia à vontade em Hollywood. Enquanto isso, Zelda estava indo bem. Mas, teve uma recaída em 1932 e deu entrada na clínica no dia 12 de fevereiro. Um mês após ter sido internada, Zelda termina seu romance autobiográfico, Esta vala é minha. Zelda encaminhou o manuscrito para o editor, sem mostrá-lo ao marido. Scott ficou pronfundamente magoado com a situação, pois Zelda escreveu o romance em menos de um mês, enquanto Scott lutava para finalizar seu romance, iniciado há anos, e queria provar para o mundo literário que era um escritor de peso. Zelda publicou seu livro em 1932 e Scott pubicou, Suave é a noite, em 1934.

Em junho de 1932, Zelda recebeu alta, e foi morar com Scott e sua filha. Mas, Scott continuava com seus problemas de alcoolismo, e isso gerou briga entre o casal. Zelda teve uma recaída em 1934 e foi, novamente internada, e perdurou até 1940. Seu quadro oscilava entre estados maníacos e depressivos. Scott se preocupava com a situação de Zelda e ficou abalado ao encarar a possibilidade de nunca mais viver junto de sua esposa. Seu quadro de alcoolismo piorou e sua tuberculose voltou a se manifestar, e foi internado várias vezes para o tratamento. Em 1935 ele entrou numa depressão que perdurou até 1937. 

Em junho de 1937, Scott recebeu uma oferta de emprego em Hollywood como roteirista, mas ele ainda sofria com o alcoolismo. Ao se mudar para Hollywood conheceu a jornalista Sheila Graham, que foi sua amante. Ele sempre visitava Zelda, tirava férias com ela e com a filha.

Em 1940, Zelda, recebeu alta no mesmo ano e voltou a morar com a mãe, e Scott veio a falecer no mesmo ano de ataque cardíaco, aos 44 anos. Depois da morte do marido, Zelda morava na casa mãe e no hospital. Ela faleceu em 1948, aos 47 anos, após um incêndiono prédio do hospital onde ela vivia.



Texto a partir do livro,
Querido Scott, Querido Zelda: as cartas de amor 
de Scott e Zelda Fitzgerald: Winnie Gomes

PS.: A história desse casal é um verdadeiro romance. É claro que o livro explora mais detalhes sobre a vida deles, contudo é impossível destacar todos os detalhes aqui. Mas, quem tiver interesse, recomendo a leitura do livro.



Fonte

Querido Scott, Querido Zelda: as cartas de amor de Scott e Zelda Fitzgerald/ organização Jackson R. Bryer e Cathy W. Barks; introdução Eleanor Lanaham; tradução Beth Vieira - São Paulo: Companhia da Letras, 2005. 

Postar um comentário

0 Comentários