Os podres poderes brasileiros

     Recentemente o senhor Gidelson Barros, morador veterano da agradável cidade de Camocim de São Félix, distante 123 km da capital Recife (PE), fez chegar ao nosso conhecimento, o vídeo de Chuva de Honestidade, de Flávio Leandro. Além da beleza de suas notas musicais (melodia), o poema é composto de versos que cortam na carne da parcela da classe de governantes, legisladores e julgadores brasileiros que insistem em não mostrar as  suas  caras  pálidas. A cara da incorreta política, da economia distorcida, da cultura mutilada - não apenas do Nordeste (explícitos nos versos) -, mas de todos os confins do Brasil.
    O universo da nossa música é tão vasto, que, apesar das nossas constantes pesquisas, não conhecíamos esse magnífico artista, o qual é muito popular na sua região, assim como outros que de lá ganharam projeção nacional e até internacional.
O poeta cantador Francisco Flávio Leandro Furtado.
(Imagem: Blog do Bruno Lira)
    Portanto, impressionados pela impactante mensagem de Chuva de Honestidade, saímos à procura de mais informações e logo descobrimos que Francisco Flávio Leandro Furtado, nasceu em 25 de outubro de 1969 (fará 50 anos), em Bodocó-PE; formado em contabilidade; trabalhou no Banco do Brasil e no IBGE; lecionou matemática e informática na sua cidade; depois, foi auditor fiscal (1).
     Compositor nato desde os 13 anos. Em 1985, aos 16 anos, participou do seu 1º festival de música com canções de sua autoria. Desde então, não parou mais de criar, cantar e se apresentar em shows, inclusive com outros artistas. São as marcas do poeta cantador, como consta em um de seus CDs.
     Autor de quase 100 composições gravadas por ele e por vários cantores como Elba Ramalho, Flávio José (autor de Caboclo Sonhador, estrondoso sucesso com Fagner), Jorge de Altinho, Maciel Melo, Nádia Maia, entre outros. Mas, sem perder de vista seu maior inspirador artístico: Dominguinhos. De 1999 para cá, já lançou vários CDs independentes (também um DVD), como Brasilidade, Travessuras, Na Casa do Rei, Xô Aperreio!, etc (3).
      Do trabalho Cercadim, de 2019, vem Chuva de Honestidade, a mais tocada entre 20 músicas selecionadas de vários artistas nordestinos, como Alceu, Gonzaga, Azevedo, etc. Vamos, portanto, à letra, na íntegra (há vários vídeos no YuoTube, inclusive legendado, a qual foi feita para o Canal de Araripe (PE), mas preferimos o método mais original - versos, estrofes, refrão, etc.

                                    CHUVA DE HONESTIDADE 

Quando o ronco feroz do carro pipa
Cobre a força do aboio do vaqueiro
Quando o gado berrando no terreiro
Se despede da vida do peão
     Quando verde eu procuro pelo chão
     Não encontro mais mandacaru
     Dá tristeza que viver no Sul
     Pra morrer de saudades do sertão.
          Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente
          Mas tem mão boba enganando a gente
          Secando o verde da irrigação.
               Não, eu não quero enchentes de caridade
               Só quero chuva de honestidade
               Molhando as terras do meu sertão.
                    Eu pensei que tivesse resolvida
                    Essa forma de vida tão medonha
                    Mas ainda me matam de vergonha
                    Os currais, coronéis e suas cercas
                         Eu pensei nunca mais sofrer da seca
                         No Nordeste do século vinte e um
                         Onde até o voo troncho de um anum,
                         Fez progressos e teve evolução
                             Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente
                             Mas tem mão boba enganando a gente
                             Secando o verde da irrigação.
                                 Não, eu não quero enchentes de caridade
                                 Só quero chuva de honestidade
                                 Molhando as terras do meu sertão
                                      Israel é mais seco que o Nordeste
                                      No entanto se investe de fortuna
                                      Dando força total à agricultura
                                      Faz brotar folha verde no deserto
                                           Dá pra ver que o desmando aqui é certo
                                           Sobra voto,  mas, falta competência
                                           Pra tirar das cacimbas da ciência
                                           Água doce que regue a plantação
                                                Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente
                                                Mas tem mão boba enganando a gente
                                                Secando o verde da irrigação
                                                     Não, eu não quero enchentes de caridade
                                                      Só quero chuva de honestidade
                                                     Molhando as terras do meu sertão (2)             

     A imortal da ABL, Nélida Piñon (82 anos), uma das 5 mulheres, entre os 40 membros efetivos, em recente entrevista, foi categórica: "Aprendemos tudo pela metade no Brasil. E não aprendemos o que é mais essencial do projeto educacional: pensar".  E questiona: "Como você pode fortalecer o sistema educacional para um criança que não tem casa? A criança brasileira não tem onde ler. Só isso já é um drama"  (4).

     Do outro lado do mundo, distante mais de 10 mil km do Nordeste, do Brasil, o dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), já dizia:

                           Nós, vos pedimos com insistência.
                           Não  digam  nunca, isso é natural!
                           Diante dos acontecimentos de cada dia,
                           Numa  época em que  reina a confusão,
                                      Em que corre sangue,
                           Em  que o arbitrário  tem  força de  lei, 
                           Em  que a humanidade se desumaniza. 
                           Não  digam  nunca, isso é natural!
                           Para que  nada  passe a ser  imutável" (5).

     Muito bem. Juntemos os três pensamentos - de Flávio, Nélida e Brecht -, e fica fácil concluir: O BRASIL NÃO TEM PERSONALIDADE. Desde os tempos idos (lá por volta de 1530), até hoje (século 21), pouco aprendeu a pensar pela formação escolar. Pífio esse processo, o país continua explorado pelo sistema capitalista. Pela mentira; pela desonestidade; pelas "enchentes de caridade";  pela "mão boba" da corrupção; pela falta de "competência" dos Poderes, de gerir bem a coisa pública (res publica). Quase  todos os eleitos culposamente por 150 milhões de brasileiros, são indivíduos ladinos, de condutas duvidosas e criminosos "institucionais". Perigosos não someante para o Nordeste, mas para toda a nação brasileira. Pior: grassam como praga de gafanhotos, aliás, mais nocivos que os insetos, porque devoram os tecidos da vida, da moral, da ética, da verdade, da religião, das camadas sociais, da própria História.
     O mais assustador é saber: para milhões de brasileiros, tudo "isso é natural!". Não, não aceitemos, senhores, esse estado de coisa que aí estar. Tais práticas não são naturais numa sociedade com um mínimo de JUSTIÇA estabelecida. Precisamos nos unir - urgentemente -, e pela força que emana do povo, defenestrar, de uma vez por todas, essa casta de malfeitores (os bem-aventurados não entram nesse rol, é lógico) já arraigada nos TRÊS PODERES.

     Por: Francisco e Winnie Gomes

     Fontes
     1. www.dicionariompb.com.br
     2. www. letras.MUS.br
     3. www.google. com
     4. m.huffpostbrasil.com (UM BRASIL, 16.05.19)
     5. www. frasesfamosas.com.br

                                      
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   
                 

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