"Por que ainda sou professor?"

 
Imagem: Pixabay
    No último dia 26 de junho de 2019, chegou às minhas mãos a 2ª edição, do livro PESQUISAS EM TEORIA E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, cujos organizadores são os doutores José Luís Simões e Hercília Melo do Nascimento.
     A apresentação vem assinada pelo próprio José Luís, que garante que essa edição veio fortalecer a 1ª, de 2010, com "grande afluência de novos pesquisadores na área, ademais, a História da Educação necessita de contribuições originais e novas temáticas". Assim, ele justifica a inclusão à mesma de pesquisas inéditas, de autores emergentes nessa proposta.
    Ao todo, são oito pesquisas, cada uma mais relevante que a outra. Os autores, todos são mestrandos, doutorandos, mestres ou doutores. A saber:
     1. A identidade nacional brasileira e a educação: uma análise à luz de Norbert Elias e Michel Foucault, de Amanda Marques de Carvalho Gondim.
     2. O acesso à escola e a contribuição para a conquista da felicidade: um estudo sobre a percepção dos professores, de Catarina da Silva Souza e José Luís Simões. 
     3. História da Fundação do Liceu de Artes e Ofícios de Pernambuco: as construtivas relações entre uma associação de artífices, uma elite comerciante e a classe política, de Elícia Barros Guerra.
     4. A Residência Multiprofissional em saúde da família da Universidade Federal de Pernambuco: um olhar dos primeiros egressos, de Hercília Melo do Nascimento. 
     5. História e Memória: as trajetórias familiares da comunidade do Coque, de Izabel Adriana Gomes de Sena Simões.
    6. História do intercâmbio internacional de estudantes da rede pública em Pernambuco (2012-2018), de Charles Gomes Martins.
     7. Inclusão escolar e barreiras atitudinais: um diálogo sob a perspectiva da sociologia de Pierre Bourdieu, de Ernani Nunes Ribeiro, José Luís Simões e Fábio da Silva Paiva.
    8. A história oral como referencial teórico-metodológico de pesquisas em História da Educação no Brasil: considerações sobre o uso e o trato das fontes, de Aparecida da Silva Xavier Barros, Ana Paula Rodrigues Figueirôa e Winnie Gomes da Silva.

       Juntos, assinam o seguinte lembrete, na contracapa, assim:
                                             "Nesta segunda edição,
                                               compartilhamos pesquisas 
                                               inéditas, resultado de investigação
                                               e estudo de pesquisadores
                                               que se dedicam ao campo da teoria
                                               e história da educação.
                                               Convidamos o público leitor
                                               a conhecer este trabalho,
                                               se envolver, opinar e criticar os artigos
                                               aqui reunidos".

     Realmente, a obra em análise, é imperdível. Não somente pelos membros da comunidade científica, mas, principalmente, por todos aqueles que são operadores da educação e, pela natureza de sua dinâmica, pretendem aprofundar suas pesquisas, para obter, é óbvio, resultados plausíveis por meio do processe educativo de qualidade, em qualquer que seja a escola, em qualquer que seja o Município, em qualquer que seja o nível de aprendizado brasileiro. 
    "O objetivo deste livro - diz o apresentador - é divulgar a contribuição acadêmica de novos pesquisadores, abordar novos temas no campo da pesquisa educacional e tornar acessível a um público mais amplo", tanto de leitores como de crítica. A crítica, por exemplo, "servirá de combustível para continuar o trabalho acadêmico, com novas pesquisas, debates e perspectivas" (1).
      Pronuncio-me como leitor: foi acertadíssima a decisão de seus autores para a publicação da obra em questão. Sabe-se não ser fácil conceber uma ideia. Pesquisar os elementos que a compõem. Transformá-la em texto. Revisar o conteúdo investigado.  Reunir outras pesquisas afins. Conseguir uma editora (fundamentalmente numa era em que o virtual se sobrepõe ao real) e publicar um livro, cujo pano de fundo é a educação. Estudar com afinco a educação praticada no Brasil do século XXI, é tarefa para gente grande, isto é, gente que sabe o que quer. Que sabe o que diz e o que almeja dela. Assim o são todos os envolvidos em PESQUISAS EM TEORIA E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO.
     Só para exemplificar, uma das abordagens discute a teoria da felicidade. A felicidade na percepção dos que trabalham à educação, seja em Caruaru (PE) ou Parintins (AM) e, por fim, questionam seus autores: "Escola e Felicidade: existe relação?" Porém, para responder tais inquietações requer dos que buscam respostas com muita sabedoria, como certificam abaixo, Catarina Souza e José Simões:

                            "Não resta dúvida que o profissional da educação ocupa um lugar
                              essencial no processo de aprendizagem escolar. Desta forma, seu
                              trabalho  deve  ser  valorizado, uma  vez que, atua  como  agente
                              transformador, crítico e formador de opinião".

     No mundo atual, no qual a humanidade vive o "tudo é moderno", Elícia Souza, nos apresente excelente pesquisa, cuja origem teria ocorrido lá pelos meados do século XVIII, quando da fundação do Liceu de Artes e Ofícios de Pernambuco, cujo empreendimento "marcaria uma nova fase da educação na cidade do Recife. Uma educação voltada para a formação do profissional".
    E, aos poucos, o livro vai ficando completo e completando o encantamento do leitor (e preocupando também pelos índices apontados aqui e ali). Aí, vem Izabel Simões com História e Memória: as trajetórias familiares da comunidade do Coque. Fascinante rima (história e memória!) e em apenas três frases, o leitor extrai muito aprendizado, diante de um trabalho que deve ter levado anos para ser concluído. Assim como a abelha leva três segundos para extrair da flor, o néctar pretendido:
      - "A história oral de vida auxiliou no estudo das memórias, no entendimento da construção das identidades e das representações";
   - "A história oral de vida é voltada para a memória dos indivíduos e sua capacidade de rememorar o passado enquanto testemunha do vivido" e
    -  "A história oral estuda acontecimentos históricos, sociais, instituições, grupos sociais, categorias profissionais, movimentos entre outros".
    Toda essa História, transmitida de uma geração a outra, tem nome próprio: FORMAÇÃO EDUCACIONAL. O que varia são seus aspectos, suas modalidades. Porém, o tronco, em si, é o mesmo.
     Na sua investigação científica sobre o intercâmbio de estudantes pernambucanos via internacional, no contexto da escola pública no Brasil e no Estado de Pernambuco,  apesar de ser um Programa novo (sua primeira edição ocorreu em 2012), Charles Martins assegura que o Projeto ganhou o mundo, com o envio de além-fronteiras, 1.095 estudantes. 
     Por fim, os organizadores inseriram à obra, mais um estudo oportuno: A história oral como referencial teórico-metodológico de pesquisas em História da Educação no Brasil: considerações sobre o uso e o trato das fontes, das estudiosas Aparecida Xavier, Ana Paula Rodrigues e Winnie Gomes.
    Segundo elas, "a ideia central deste trabalho é, portanto, apresentar a História Oral como referencial teórico-metodológico dentro da abordagem qualitativa, uma vez que esta é uma possibilidade profícua à realização de estudos no campo da História da Educação no Brasil". 
     Nesse aspecto do aprendizado pela oralidade, isto é, como meio de comunicação, as pesquisadoras identificaram um elemento essencial da história do indivíduo: o ato de narrar o fato, quer dizer, ter-lhe sido contado o próprio passado, a própria vida. Isso fê-las ir além: investigar as origens da História Oral no Brasil. Chegando, portanto, às fontes e o trato das mesmas quanto ao seu uso. Que, sem dúvida, "são ricas e compõem matéria-prima para o historiador".
     Este estudo, além de inovador e necessário chega em boa hora: um momento em que o Brasil apresenta complicado quadro educacional de Norte a Sul. Esta investigação serve para "fornecer um instrumento útil de orientação para aqueles que se aproximam pela primeira vez da História Oral. Foi uma tarefa desafiadora e bastante ousada", concluem as qualificadas professoras.
     Como um assunto puxa outro, lembrei-me que no início dos anos 90, o professor da PUC-SP, Samir Meserani, publicou interessante artigo, cujo título era uma pergunta enigmática: "Por que ainda sou professor?" Segundo ele, seus estudos revelaram a existência de "dois tipos de professores, ambos lastimáveis: os que só falam de salário e os que nunca falam de salário" (2).
     Então, com a publicação de PESQUISAS EM TEORIA E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, surge um terceiro tipo de professor (conclusão minha). A categoria dos que só falam de ciência da educação, do ensino de qualidade. Dos que acreditam ser possível envolver o maior número de adeptos nessa cruzada educacional nacional. Assim sendo, parabéns a todos que, direta ou indiretamente, são integrantes da produção desse trabalho, desse Projeto universal.

     Em meados dos anos 80, deparei-me com um desses andarilhos dos centros das grandes cidades, no caso específico, de Manaus (AM), e nas mãos dele um cartaz que o mesmo acabara de arrancar de uma banca de revistas, onde estava escrito: "A educação é a única forma que permite ao indivíduo crescer em todos os aspectos".  Atualíssima!
     Seu autor? Alguém que acreditou e se debruçou sobre os estudos que conduzem o ser humano ao  verdadeiro caminho de sua formação cultural, intelectual, moral, etc: a educação. Assim como também o fazem os mestres e doutores, que ora presenteiam seu público leitor com essa  magnífica pesquisa essencialmente de caráter técnico-científico. 


     Fontes
     1. Pesquisa em teoria e história da educação/organizadores José Luís Simões, Hercília Melo-2. ed. revista e ampliada. - Recife: Liceu, 2018.
     2. Sala de Aula, ano 3, nº 20, Fundação Victor Civita, maio de 1990, p.9.
     

    
      
     

    

     

    
     
    
   
     

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