Natal do passsado e do presente

     Vem do poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968), considerado o abre-alas da Semana de Arte Moderna de São Paulo de 1922, a seguinte citação: "Quem não estiver contente com o presente, viva,como eu, das saudades do passado".
     Li em algum lugar que "a pessoa saudosista é pessoa melancólica". Será? Se não há boas lembranças do passado, não há como viver bem o presente e, projetar dias melhores para o futuro, isto é, para o amanhã, para a vida que pedirá passagem, sempre.
      Sou da época dos velhos costumes. Do habitual, do tradicional, do cartão postal (quando ainda, nem se ouvia falar em "coisa virtual"). Em dezembro, mas especificamente no Natal, as felicitações pipocavam - a cada um do seu jeito, é claro. A alegria era geral; era contagiante. Por exemplo, aos parentes e amigos distantes, eram enviados pelos Correios, pudera, cartões de "Boas Festas!" ou até telegramas. Tudo era muito original.
     Essas recordações me remetem aos anos 80 e meados dos anos 90, quando, no final do ano, comprava-se o disco do artista preferido ou da cantora mais destacada. Se o dinheiro era curto, adquiria-se uma fita K7, com as mesmas músicas, mas por um preço mais acessível. Às vezes, pintava um livro ou até mesmo um filme em VHS como presente. Na maioria das vezes, entre amigos ocultos. Havia uma intensa expectativa!
     Sabe-se que saudosistas iguais a mim e ao poeta Bandeira mantêm a tradição, quer dizer, ser presenteados com CDs, DVDs, Livros, Mensagens, etc. São presentes que nos fazem alegrar o espírito e brilhar os olhos. Isto vem acontecendo comigo durante esta semana que antecede o Natal. Pois, foram-me enviadas algumas "lembranças" significativas, advindas de familiares e amigos. Entre elas, abaixo, cito algumas, como:

     1. CDs: a) Danda (do sax) e seu regional de ouro (chorinho), volume 2, Recife (PE), 2010; b) Suite de barro, lançado pelo SESC de Caruaru (PE), 2007; c) Toquinho: 30 anos de música, 1994; e d) Natal nordestino, 2017, cuja "parte das das vendas será destinada às crianças da Creche Nossa Senhora da Boa Viagem, na Comunidade de Entra Apulso, Recife (PE)".
 

     2. LIVROS: a) "Noel Rosa: Poeta da Vila, cronista do Brasil", de Luiz Ricardo Leitão, 2011: b) "Rimas do Mundaú", de Cícero Manoel (org.) 2018, contendo belos cordéis de diversos cordelistas; c) "João Nogueira: discobiografia", de Luiz Fernando Vianna 2012; d) "Martinho da Vila: discobiografia", de Hugo Suhman, 2013; e e) "Manaus em Poesia", de Evany Nascimento, 2ª edição, 2014.





     3. DVDs: a) "Marley" (filme), de Kevin Macdonald, 2012; b) "The Beatles" (musical) - Especial: shows ao vivo de 1962-1966, 2016.
 
 
     Assim, terei muito lazer cultural nos próximos dias, principalmente durante as férias escolares, Longe de qualquer fuzarca. Tem  mais: este comentário sobre isso ou aquilo, não tem o objetivo de admoestar nossos leitores. Longe disso. Mas, apenas estimular a todos o hábito em ouvir a boa música, assistir a bons filmes, ou fazer boas leituras, sem, no entanto, desmerecer o irreversível processo da era informacional, com a avançada tecnologia dos meios de comunicação, seja pelo computador, pelo celular, etc.
     Ao finalizar este artigo, o último antes do NATAL 2019, felicitamos todos os nossos incansáveis leitores com cada palavra, cada verso de

                             P O E M A   D E    N A T A L 

     Para isso fomos feitos:
     Para lembrar e ser lembrados
     Para chorar e fazer chorar
     Para enterrar os nossos mortos -
     Por isso temos braços longos para os adeuses 
     Mãos para colher o que foi dado
     Depois para cavar a terra.
           Assim será a nossa vida:
           Uma tarde sempre a esquecer
           Uma estrela a se apagar na terra
           Um caminho entre dois túmulos -
           Por isso precisamos velar
           Falar baixo, pisar leve, ver
           A noite dormir em silêncio.
                  Não há muito que fazer
                  Uma canção sobre um berço
                  Um verso, talvez de amor
                  Uma prece por quem se vai - 
                  Mas que essa hora não esqueça
                  E por ela os nossos corações
                  Se deixem, graves e simples. 
                          Pois para isso fomos feitos:   
                          Para a esperança no milagre
                          Para a participação da poesia
                          Para ver a face da morte -
                          De repente nunca mais esqueceremos...
                          Hoje à noite é jovem; da morte, apenas
                          Nascemos imensamente (1).
                                            
                                            (Vinicius de Moraes)

Notinha útil - Há dois dias, ou melhor, 18 de dezembro de 2019, nós, os criadores e mantenedores do Facetas, fomos convidados a participar de uma solenidade de formatura de uns 120 anos, no Instituto Federal do Amazonas - IFAM (Campus-Centro). Parabéns àquela Instituição: direção, docentes, discentes e corpo técnico-administrativo, cujas palavras destacadas foram país, família, educação, transformação, superação e conquista.
No término da mensagem do Senhor Diretor Geral do CMC/IFAM Edson Valente Chaves, está grafado:

                                                     Ninguém
"Ninguém é tão forte que nunca tenha chorado./Ninguém é tão autossuficiente para nunca ser ajudado./Ninguém é tão fraco que nunca tenha vencido./Ninguém é tão inválido que nunca tenha contribuído./Ninguém é tão sábio que nunca tenha errado./Ninguém é tão errado que nunca tenha acertado./Ninguém é tão corajoso que nunca teve medo. /Ninguém é tão medroso que nunca teve coragem/Ninguém é tão alguém que nunca precisa de alguém!" (2).

     Feliz Natal!

     Pesquisa e texto: Francisco Gomes
     Arte e formação: Winnie Barros

     Fontes
     1. Moraes, Vinicius de. Literatura Comentada, editora Abril, São Paulo, 1980
    2. Edson Valente Chaves. Mensagem aos formandos dos Cursos Técnicos de Nível Médio na forma integrada 2019.

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